O Estado das estradas…

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Estradas Nacionais 202 e 101 de Souto a Sabadim

Ponto prévio: As Câmaras Municipais têm, mais que o poder,  a obrigação de intervir sempre que a segurança das populações está em causa, seja em equipamentos municipais, privados ou governamentais.

 

Vem isto a propósito do estado lastimoso em que se encontram grande parte das estradas no concelho de Arcos de Valdevez. É certo que, se em algumas freguesias houve algum investimento de última hora, para mostrar trabalho para as próximas eleições autárquicas, há ainda muito que fazer. Como não há uma manutenção sustentada das vias de comunicação, põe-se em ano de eleições meio concelho em obras, para assim se poder dizer que se investiram milhões na melhoria destas vias.

Há no entanto uma situação que é mais problemática e que há anos que se arrasta: As Estradas Nacionais (sobretudo a EN101 e EN202). Por serem nacionais, a responsabilidade da sua manutenção é da Infraestruturas de Portugal (IP). A EN 202 começa em Jolda, passa pela vila e segue para Soajo. A EN101, faz parte da ligação Braga-Monção.

Sempre que questionados por nós, os executivos municipais dizem que a responsabilidade não é deles. Finalmente, neste último ano, uma boa noticia: haveria reparação do piso na EN101 a partir da rotunda da variante e da EN202 em Guilhadeses.

A primeira ainda avançou a segunda, ficou para as calendas gregas… mas, num concelho onde há filhos e enteados, só a freguesia de Guilhadeses seria filha, sendo que, Souto e Tabaçô ficariam como enteadas… Isto, já para não falar do troço entre Souto e Jolda, que, apesar de mau, não está tão perigoso como os referidos.

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Troço da EN101 desclassificado e agora Estrada Municipal

Ora, se estes troços são da jurisdição da IP, já o mesmo não se pode dizer na antiga EN101, em Paçô e entre a rotunda da Ponte Nova e a rotunda da Variante, em Prozelo. Estes dois troços, são da exclusiva responsabilidade da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e o seu estado deve-se apenas à má gestão dos recursos municipais.

Muitos destes problemas não existiriam se a Câmara Municipal exigisse às empresas que utilizam as estradas para instalar serviços, deixar o piso em boas condições. Quer nas estradas nacionais, quer nas estradas municipais, logo que há a instalação de um serviço, o remendo fica bem visível. Ao fim de pouco tempo fica um desnível que atenta contra a segurança da circulação.

Estes dois troços da ex N101, são exemplo disso, havendo um enorme buraco no local aberto para instalar, nestes casos, o saneamento. Quer um quer outro, colocam a segurança dos automobilistas em perigo. O troço de Paçô, ainda é mais grave, pois muita gente usa esta via para ter acesso à Ecovia, uma vez que ela não existe na margem esquerda do Vez.

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Dispositivo para experimentar os amortecedores do automóvel na EN101.

Se houvesse preocupação de repor o piso adequadamente, o estado das vias não se degradava tão rapidamente e não seriam os cofres municipais a suportar essas reparações, como acontece em concelhos vizinhos, onde após a instalação dos serviços, os tapetes asfaltados são devidamente corrigidos.

Mas, claro, isto é pedir muito, se mesmo no troço agora melhorado, da N101, as tampas do saneamento ficaram desniveladas. Provavelmente, é paramos não esquecermos que em Arcos de Valdevez existe saneamento… alguém se podia esquecer, visto o que aparece frequentemente no Rio Vez!

 

 

Álvaro Amorim

 

A demografia em Arcos de Valdevez

Arcos de Valdevez é um concelho envelhecido e em desertificação. São dois dados que qualquer um pode observar empiricamente. Normalmente, diz-se que é um problema do pais e, do interior norte, em particular.

A CCDRN apresentou um estudo em que mostra a evolução da demografia dos concelhos do Norte de Portugal, desde 2006. Esse trabalho “Norte Estrutura“, Edição Verão de 2017, apresenta alguns indicadores que interessa analisar.

Taxa Anual de Crescimento Natural

TACNComo se pode observar pelo gráfico, nenhum município do distrito de Viana do Castelo tem crescimento positivo. Mas Arcos de Valdevez, a par  de Melgaço e Monção, consegue ser o pior, com taxas de crescimento entre -1,47 e -0,98%. Com o devido respeito, até em Paredes de Coura e Ponte da Barca é “menos má” que Arcos de Valdevez.

Pode-se pensar que é um problema antigo, mas, separando os anos de 2006-2011 e 2011-2016, verifica-se que a perda de população agravou-se nos últimos 5 anos.

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Arcos de Valdevez perdeu mais população nos últimos 5 anos que nos anteriores.

Taxa média anual de Crescimento Migratório 

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Relativamente ao crescimento baseado na migração,  Arcos de Valdevez está um pouco melhor, estando num grupo intermédio, melhor que Ponte da Barca e Viana do Castelo.

Estranhamente, ou não, também nos últimos 5 anos, o panorama piorou consideravelmente.

Arcos de Valdevez passou de uma taxa de crescimento migratório positiva (0 a 0,39%), entre 2006 e 2011, para uma taxa de crescimento migratória negativa (-0,22 a 0 %) entre 2011 e 2016.

É certo que houve uma regressão geral, fruto das medidas impostas pela intervenção externa, mas Arcos de Valdevez segue sempre na cauda ou, na melhor das hipóteses, ali pelo meio!

 

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Entre 2006 e 2011 a taxa de crescimento migratório foi positiva em Arcos de Valdevez. Entre 2011 e 2016 foi negativa. Arcos de Valdevez não acompanha os melhores quando as condições são favoráveis e acompanha-os quando as condições são desfavoráveis… não há mérito nisso!

Taxa média anual de Crescimento Populacional

O resultado dos dois parâmetros anteriores, é a taxa média de crescimento anual. Se Arcos de Valdevez não esteve particularmente brilhante neles, o resultado final também não é melhor.

TMCP20062016.jpgO resultado é que Arcos de Valdevez apresenta crescimento populacional negativo, entre 2006 e 2016 (-1,25 a -0,62).

É certo que existe uma menor capacidade de manter a população dos municípios do interior. Mas, mais uma vez, só somos melhores que Melgaço e não conseguimos acompanhar a maior parte dos nossos vizinhos, que pouco menos “interiores” são. Talvez o efeito de Braga se estendesse a Arcos de Valdevez, se houvesse uma ligação em condições à cidade mais rica do Minho.

Comparando os dois quadriénios, verifica-se que a taxa de crescimento agrava-se de 2006 a 2011 (-1,45% a -0,73%), para 2011 a 2016 (-1,64% a -1,09%).

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Para se poder construir o futuro, temos que começar pelo presente e o passado não nos mostra grandes méritos.

Arcos de Valdevez precisa de novas políticas que promovam a fixação de quem cá nasce e sejam atrativas para quem para cá queira vir, sobretudo quem possa trazer mais riqueza.

Álvaro Amorim

Solar de Requeijo…

RequeijoO Solar de Requeijo foi um forte investimento da Câmara Municipal. Depois de adquirido, foi “cedido” à Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), que nunca executou o projecto acordado.

Várias vezes questionado o Sr. Presidente da Câmara, sempre nos foi dito que a reversão do contrato com a ANJE seria desastroso para os cofres do Município. Ou seja, aquando da cedência do imóvel, não foi precavido o interesse municipal e colocada uma clausula contratual de reversão do mesmo, em caso de incumprimento por parte da ANJE.

Num contrato que se mostra ruinoso para Arcos de Valdevez, o executivo municipal cedeu o edifício sem garantias que a ANJE cumpriria o acordado. Algo parecido, parece estar a acontecer com o Antigo Seminário, da Rua Padre Himalaia.

O Minho Digital digital, noticia uma reunião da Câmara com várias entidades, para tentar resolver a situação. Mas, parece ser mais uma manobra com vista a salvar a face com a aproximação das eleições autárquicas. É o próprio edil de Arcos que diz: “O contrato [celebrado] com a ANJE diz que o não cumprimento do acordo implica o pagamento [por parte da Câmara] do montante que eles pagaram [500 mil euros], mais a comparticipação nacional dos projetos e de tudo aquilo que foi feito até ao momento… Além disso, para chegarmos a qualquer lado, e antes de pôr o imóvel em funcionamento, ter-se-ia de gastar ainda, pelas nossas estimativas, 2 milhões de euros, para lá do processo reclamar uma solução minimamente sustentável” 

Como é que foi possível a Câmara Municipal, depois dos problemas que teve na aquisição do imóvel, não ter precavido o interesse dos Arcuenses e garantir a devolução do Solar de Requeijo se a ANJE não cumprisse o contrato, como se verifica.

Álvaro Amorim

Assembleia Municipal de Junho de 2017

Imagem da Casa das Artes
Casa das Artes, arcos.

Antes dos tristes acontecimentos relatados no artigo anterior, no Período Antes da Ordem do Dia, houve alguma discussão política.

Os Grupos Municipais, começaram por estar unanimemente de acordo na solidariedade às vitimas de Pedrógão Grande.

Na minha intervenção procurei fazer um breve balanço deste mandato autárquico. A referência à última entrevista do Sr. Presidente da Câmara ao Noticias dos Arcos tinha que ser referida:

“O Sr. Presidente da Câmara referiu, em entrevista ao Noticias dos Arcos, que executou 80 milhões de euros, enumerando algumas obras que realizou. Mas, a questão que colocamos, é: que beneficio trouxeram estes 80 milhões de euros para as populações de Arcos de Valdevez? Houve melhoria em termos demográficos? A pirâmide etária está hoje mais equilibrada? Melhoramos o nosso rendimento per capita? (encontramo-nos na cauda do distrito de Viana do Castelo, que já por si se encontra abaixo da média nacional). No ranking dos municípios do distrito de Viana do Castelo, Arcos de Valdevez aparece com um valor per capita de 68,44 % da média nacional, apenas à frente de Ponte da Barca, Paredes de Coura e Melgaço, uma posição da qual não nos devemos orgulhar.

Os Arcuenses continuam a ter que emigrar e os jovens não encontram forma de se fixarem.”

Também referi, algumas das medidas alternativas que podem melhorar as condições de vida do concelho:

“A questão da zona urbana da vila, do centro histórico, continua com estrangulamentos. Ainda hoje continuam por resolver problemas como a abertura da ponte velha ao transito rodoviário, a remoção de vários obstáculos urbanísticos, a questão do estacionamento e, o redimensionamento dos fluxos de transito. A ligação através de uma via rápida de Arcos de Valdevez a Braga…”

.”..defendemos o estabelecimento de uma fórmula que tenha nas suas variáveis objetivos, de forma a todas as freguesias receberem verbas equitativamente.”

“…um projeto para Arcos de Valdevez, que passa pelo turismo, pela agricultura (a fileira da floresta e o vinho são dois segmentos que devem ter a máxima atenção, mas o apoio a novas culturas que possam trazer valor acrescentado é também prioritário), por incentivar o comércio local. Não descuramos a industria (sobretudo industrias amigas do ambiente)…”

“o executivo não deveria cobrar aos munícipes a taxa variável de IRS. Num intervalo de 0% a 5% do IRS, a câmara municipal estabeleceu o valor de 4,5 % a cobrar aos munícipes. O IMI (imposto municipal de imóveis) em nosso entender deveria ir para os valores mínimos.”

Por outro lado, consideramos que alguns investimentos realizados, ficaram aquém das potencialidades que poderiam ter. O Paço de Giela, apesar da edifício em si ter sido recuperado e lhe terem devolvido a beleza do passado, podia ter um aproveitamento turístico muito mais de acordo com a sua importância. A Ecovia, que permite passeios majestosos junto à margem do Vez e Lima, foi mal construída e, apesar de já ter consumido cerca de um milhão de euros, continua incompleta.

Relativamente a esta intervenção, o Sr. Presidente respondeu que era contra a construção da Ecovia e a reconstrução do Paço de Giela, além de não conhecer o concelho, referindo os muito milhões de euros já investidos… Pôs em causa ainda o meu profissionalismo, ao acusar-me de não falar das coisas boas que faz na educação.

Tive oportunidade de lhe responder, referindo várias coisas:

  • Não misturo a politica com o meu trabalho. Não falo de política na minha sala de aula e não falo da escola onde trabalho na Assembleia Municipal.
  • Deturpa, constantemente, o meu discurso. Nunca fui, nem o CDS-Arcos foi, contra a Ecovia ou o restauro do Paço de Giela. Apenas considero que ambos os projectos podiam ir mais além. A Ecovia deveria ter sido melhor planificada e executada. O Paço de Giela, merecia outra dinamização. São dois projectos emblemáticos que mostram a falta de ambição deste executivo em transformar os equipamentos arcuenses em referência a nível nacional.

Duas notas para referir as intervenções do PSD:

  • Foram anunciar tantos milhões, que parecia que os 80 000 000 € que o Sr. Presidente refere que executou durante este mandato, eram uma ínfima parte do que realmente aconteceu. Só quando o Sr. Presidente reforçou esses investimentos com exemplos de obras, é que percebemos que estavam a somar investimentos que vinham do mandato anterior (Posto de Comando Territorial da GNR, que até foi um investimento directo do MAI), com outros que vão para além deste mandato, como a revitalizarão urbana (4 milhões, mas que está agora a iniciar), requalificação da escola (outro investimento directo do governo central, neste caso ME), etc.
  • Elogiaram o facto de haver consulta aberta nas Unidade de Saúde Familiar até à meia noite e ao Fim de Semana. Esta constatação, mostra de facto a pouca ambição deste PSD e deste executivo municipal. O que deveria haver, não era uma consulta aberta, mas um serviço de urgência básica. Todos se lembram das situações de emergência que ocorreram à porta das unidades e, estas não tinham condições para socorrer tendo sido enviados de urgência para Ponte de Lima. É positivo, quando se tem uma cefaleia, poder ter uma consulta… mas se tiver um enfarte do miocárdio, não haver condições de salvar a pessoa.

Nos últimos 40 anos de poder autárquico, em especial desde inicio dos anos 90 em que há fundos europeus, o município gastou entre mil a dois mil milhões de euros. O concelho está melhor… era o que mais faltava que não estivesse… todos os municípios estão melhores. O que é certo, é que estamos melhores, mas estamos na cauda em relação aos principais indicadores de qualidade de vida e desenvolvimento. Temos hoje, quase metade da população e cada vez mais envelhecida.

Álvaro Amorim

 

Assembleia Municipal Fevereiro 2017

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Câmara Municipal

A 1ª reunião da Assembleia Municipal de 2017, realizou-se no dia 24 de Fevereiro. Era uma Assembleia Municipal que se previa calma, pois apenas havia dois pontos na ordem de trabalhos, sendo ambos relacionados com protocolos a realizar com as freguesias.

No periodo antes da ordem do dia, poucas novidades… os normais parabéns do PSD pelo executivo fazer aquilo que tem obrigação de fazer e alguns resultados positivos de atletas e clubes arcuenses!

O PCP, apresentou uma moção a favor da regionalização. Sou, desde sempre, contra uma regionalização que apenas transfere os centros de decisão de Lisboa para o Porto. Não acredito que o Porto seja mais solidário que Lisboa com os “provincianos”, como se pode ver pelas declarações do presidente da Câmara de Vila do Conde aquando da discussão das isenções nas SCUT.

A transferência de competencias para os municípios, essa sim, deve ser efectiva, mas acompanhada dos respectivos instrumentos financeiros. E foi nesse sentido a minha intervenção neste período anos da ordem do dia. Infelizmente, pelo que vamos conhecendo, o que o actual governo quer em termos de descentralização, é uma falácia, como o próprio governo… a começar pela questão do IMI… mas quanto a isto voltarei mais tarde noutro artigo!

Outra chamada de atenção que fiz nesta intervenção, foi o facto de estarmos muito abaixo da média nacional, e mesmo da média da região, em termos de poder de compra, atrás de nós só a Ponte da Barca, Paredes de Couro e Melgaço! Um triste ranking, para quem diz que tem feito tanto pelo concelho. Mas pior, é mesmo a taxa de natalidade onde somos mesmo os piores do Alto Minho! A Câmara vai gastar agora uns milhares com um estudo para “Repovoar Arcos de Valdevez”. Numa altura em que já deviam ter sido tomadas medidas, ainda se vão fazer estudos, mas mais vale tarde que nunca. Só espero que haja soluções e que sejam implementadas.

Para terminar, referi que, devido à divida que vinha do passado, mais de 20 milhões de euros, este mandato não apresentou grandes projectos novos. Alguma coisa foi feita, mas Ecovia, Paço de Giela, entre outros, já vinham do passado. Outros, como o Quartel da GNR e Remodelação da Escola Básica e Secundária são obras executadas pela câmara, mas aprovadas e financiadas pelos respectivos ministérios.

Relativamente aos pontos da ordem do dia, não tenho o habito de me opor aos protocolos realizados com as freguesias. Não concordo com o método de distribuição das verbas, mas não podia votar contra o pouco que é distribuído.

No protocolo com as freguesias para a limpeza das vias municipais, parece-me que não é o ideal, porque a verba não é suficiente para a aquisição de equipamentos, apenas dá, e não sei se é suficiente, para a mão de obra. Mas compete a cada junta de freguesia verificar se tem condições para cumprir o protocolo.

AA

Orçamento e Plano para 2017

Rio Vez, Arcos de Valdevez

Na reunião da Assembleia Municipal de 23 de Novembro, foi apresentado o Orçamento e as Opções do Plano para o ano de 2017.

 

Coube-me a mim fazer a intervenção por parte do Grupo Municipal do CDS.

É sabido que sempre tive uma visão diferente da dos executivos municipais, sobre o desenvolvimento do concelho. Nesta perspectiva, por muito que custe ao Sr. Presidente da Câmara, não posso validar as linhas mestras do PSD e por isso sempre defendi votar contra os orçamentos municipais. Este não foi excepção e por isso ele foi aprovado com os votos contra do CDS. As criticas dos outros partidos da oposição foram suaves e por isso não espantou o seu alinhamento com o executivo municipal. Com excepção do Presidente da Junta da União das Freguesias de Távora (Santa Maria e São Vicente), apesar deste depois não ter votado contra, só o Grupo Municipal do CDS-PP apresentou argumentos e justificações para o voto contra.

São muitas as razões para esta tomada de posição:

  • Este executivo foi a continuidade do anterior e, a maior parte das obras significativas que efectuou, foram lançadas no mandato anterior, nomeadamente a Ecovia, o Paço de Giela, etc. Também por isso terá conseguido alguma melhoria em relação à divida do município, um dos poucos aspectos positivos desta governação. De referir que este orçamento inclui a requalificação da Escola Sede do Agrupamento de Escolas de Valdevez. Mas esta obra é na sua totalidade da responsabilidade do Ministério da Educação, apesar da Câmara Municipal ser a responsável pela sua execução e por isto estar inscrita no Plano e Orçamento.
  • O Turismo continua a ser visto como “uma manta de retalhos”. Há algumas iniciativas que aplaudimos, mas não há uma linha condutora coerente. Não há uma aposta forte no turismo de qualidade, com a valorização das nossas riquezas naturais e culturais. E, algumas que tem sido feitas, como a Ecovia, deixam muito a desejar. O Paço de Giela, apesar da obra de recuperação estar atrativa, não está a ser explorado em todo o seu potencial.
  • A Agricultura é igual. A intervenção no Mercado Municipal é manifestamente insuficiente para o desenvolvimento da nossa agricultura. A manutenção da burocracia e taxas pouco competidas face aos concelhos vizinhos, são um entrave a este desenvolvimento e à criação de mais valias nesta área.
  • Na área da floresta, foi necessário grande parte do concelho ter ardido no Verão para se discutir alguma coisa. “Quando chegará o dia que podemos dizer que não houve incêndios porque houve uma política florestal adequada?”
  • No passado houve fortes investimentos em edifícios e terrenos dos quais não se tiram mais valias. O Seminário comprado à Confraria da Senhora da Peneda e o Solar de requeijo são dois exemplos paradigmáticos destas políticas. Nesta altura, o Município que investiu largos milhões, nem é detentor dos edifícios nem consegue que a sua recuperação seja efectivada. Já para não falar do terreno de Vila-Fonche, pago a preço dourado à Santa Casa da Misericóridia…
  • “As estradas e caminhos municipais necessitam de investimentos para assim melhor se escoarem os produtos provenientes das atividades agrícolas e de outras atividades ligadas à pequena indústria. Se por um lado as freguesias tem feito um esforço significativo, pelos parcos recursos financeiros que possuem, o executivo fica aquém das suas responsabilidades.”
  • “A melhoria das acessibilidades de ligação de Arcos de Valdevez aos municípios vizinhos e com a vizinha Espanha, sempre foi por nós considerada como prioritária. O eixo Braga-Monção deveria ser prioritário, dada a situação geográfica de Arcos de Valdevez. O executivo municipal há muito deu esta ligação como perdida e não tem feito as diligencias necessárias para mudar a situação.”
  • “A ligação que se pretende realizar do Parque industrial das Mogueiras ao IC28 seguindo o trajeto por Guilhadeses e ligando à rotunda do Pingo Doce, através de uma ponte a construir sobre o Rio Vez, sempre foi por nós entendida como uma péssima solução. Os custos são elevados, quer em termos financeiros quer para as populações afectadas, nomeadamente de Paçô, Guilhadeses e Tabaçô. Existem alternativas mais económicas e mais eficazes, quer em termos de distância à iC28 quer em termos de prejuízo para os residentes.”

Perante a minha intervenção, o Sr. Presidente da Assembleia Municipal sentiu-se incomodado e sentiu a necessidade de responder. Defendeu as suas políticas e a honorabilidade da Santa casa da Misericórdia assim como a vinda das empresas para os parques empresariais. O Sr. Presidente da Câmara reviu-se nas palavras do Sr. Presidente da Assembleia Municipal e, ainda referiu que critiquei as obras do Mercado Municipal.

Tive a oportunidade de defender a minha posição e esclareci que não somos contra os parque empresariais, apesar de ter dúvidas quanto à segurança ambiental da empresa defendida pelo Sr. Presidente e somos contra, isso sim, uma política de baixos salários. Sabemos que as empresas estão contentes com os trabalhadores arcuenses, mas os salários praticados são baixos e ter uma visão do concelho só com este tipo de emprego, não é, naturalmente a minha. Não é assim que se cria riqueza, porque essa fica nos administradores dessas empresas, que não são arcuenses.

Também esclareci que não pus em causa a honorabilidade da Santa Casa da Misericórdia. Vendeu o terreno pelo preço que lhe interessou. O executivo Municipal é que pode não ter defendido os interesses dos arcuenses. Assim como em relação à compra do seminário à Confraria da Peneda. A compra foi bem feita o destino do imóvel, e o que se fez entretanto, é que é discutível.

Em relação ao Sr. Presidente da Câmara, esclareci que entendeu mal, não critiquei as obras no mercado municipal… disse: “são bem vindas, mas não chega para apoiar a agricultura.”

Relativamente ao passado que tanto se orgulham, ficou a pergunta: Quantos habitantes tinha Arcos de Valdevez quando iniciaram os seus mandatos e quantos tem agora? É claro que o índice demográfico é mau em quase todo o país, mas o nosso concelho é mesmo muito mau.

Houve ainda declarações quanto à saúde dos arcuenses… mas não vou por esse caminho!

Ficam muito ofendidos com as nossas tomadas de posição e referem que tiveram maioria e por isso governam. Não ponho isso em causa, é democracia. Mas não é por terem maioria que temos que pensar como eles. Somos livres e pensamos pela nossa cabeça. Apoiamos quando estamos de acordo, opomo-nos quando não concordamos. Sim, não concordamos muitas vezes. E, de facto, não concordamos com a orientação política dos sucessivos executivos de Arcos de Valdevez. Penso que se poderia viver melhor em Arcos de Valdevez, mas em democracia, quem manda é o povo e é assim que o povo quer estar. No entanto, tenho, mais que o direito, a obrigação de lutar por um destino diferente para o concelho em que nasci e quero viver.

Álvaro Amorim

40 Anos de Poder Local Democrático

placa_armasEm 12 de Dezembro de 1976 realizaram-se as primeiras eleições democráticas para as autarquias locais.

A Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez não se esquece da data e resolveu realizar uma assembleia comemorativa da data.

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Placa evocativa dos autarcas eleitos em 1976 e em 2013

Assim, no dia 12 de Dezembro de 2016, realizou-se uma reunião da Assembleia Municipal comemorativa, para a qual foram convidados os autarcas eleitos naquele primeiro acto eleitoral democrático para as autarquias locais.

Foi convidado o Ministro Adjunto do Primeiro Ministro, Dr. Eduardo Cabrita, com a pasta das das Autarquias Locais, que presidiu à reunião, assim como o Professor Doutor Jorge Alves, que fez uma dissertação sobre o poder local.

Também estiveram representadas a maioria das entidades municipais, desde as forças de segurança e proteção civil até às diferentes associações culturais e desportivas. De forra do concelho, vieram os deputados da Assembleia da República eleitos pelo Distrito de Viana do Castelo, os presidentes das Assembleias Municipais dos concelhos vizinhos e respectivos presidentes da câmara assim como os presidentes da CIM-Alto Minho e IPVC.

Para assinalar a data, também foi descerrada uma medalha_frenteplaca evocativa onde constam todos os eleitos para a Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Presidência da Junta de Freguesia em 1976 e 2013. A placa ficou exposta na entrada da Casa das Artes.

Para completar, foi cunhada uma medalha evocativa a data, que foi entregue aos convidados e aos autarcas presentes eleitos em 1976 e 2013.

Julgo que foi uma acção bem sucedida, medalha_facenomeadamente na homenagem aos autarcas de 1976 que ainda se encontram entre nós e que ajudaram a implementar no concelho a democracia recentemente conseguida, através da revolução de 25 de Abril e da sua consolidação no 25 de Novembro.

Álvaro Amorim