Orçamento e Plano para 2017

Rio Vez, Arcos de Valdevez

Na reunião da Assembleia Municipal de 23 de Novembro, foi apresentado o Orçamento e as Opções do Plano para o ano de 2017.

 

Coube-me a mim fazer a intervenção por parte do Grupo Municipal do CDS.

É sabido que sempre tive uma visão diferente da dos executivos municipais, sobre o desenvolvimento do concelho. Nesta perspectiva, por muito que custe ao Sr. Presidente da Câmara, não posso validar as linhas mestras do PSD e por isso sempre defendi votar contra os orçamentos municipais. Este não foi excepção e por isso ele foi aprovado com os votos contra do CDS. As criticas dos outros partidos da oposição foram suaves e por isso não espantou o seu alinhamento com o executivo municipal. Com excepção do Presidente da Junta da União das Freguesias de Távora (Santa Maria e São Vicente), apesar deste depois não ter votado contra, só o Grupo Municipal do CDS-PP apresentou argumentos e justificações para o voto contra.

São muitas as razões para esta tomada de posição:

  • Este executivo foi a continuidade do anterior e, a maior parte das obras significativas que efectuou, foram lançadas no mandato anterior, nomeadamente a Ecovia, o Paço de Giela, etc. Também por isso terá conseguido alguma melhoria em relação à divida do município, um dos poucos aspectos positivos desta governação. De referir que este orçamento inclui a requalificação da Escola Sede do Agrupamento de Escolas de Valdevez. Mas esta obra é na sua totalidade da responsabilidade do Ministério da Educação, apesar da Câmara Municipal ser a responsável pela sua execução e por isto estar inscrita no Plano e Orçamento.
  • O Turismo continua a ser visto como “uma manta de retalhos”. Há algumas iniciativas que aplaudimos, mas não há uma linha condutora coerente. Não há uma aposta forte no turismo de qualidade, com a valorização das nossas riquezas naturais e culturais. E, algumas que tem sido feitas, como a Ecovia, deixam muito a desejar. O Paço de Giela, apesar da obra de recuperação estar atrativa, não está a ser explorado em todo o seu potencial.
  • A Agricultura é igual. A intervenção no Mercado Municipal é manifestamente insuficiente para o desenvolvimento da nossa agricultura. A manutenção da burocracia e taxas pouco competidas face aos concelhos vizinhos, são um entrave a este desenvolvimento e à criação de mais valias nesta área.
  • Na área da floresta, foi necessário grande parte do concelho ter ardido no Verão para se discutir alguma coisa. “Quando chegará o dia que podemos dizer que não houve incêndios porque houve uma política florestal adequada?”
  • No passado houve fortes investimentos em edifícios e terrenos dos quais não se tiram mais valias. O Seminário comprado à Confraria da Senhora da Peneda e o Solar de requeijo são dois exemplos paradigmáticos destas políticas. Nesta altura, o Município que investiu largos milhões, nem é detentor dos edifícios nem consegue que a sua recuperação seja efectivada. Já para não falar do terreno de Vila-Fonche, pago a preço dourado à Santa Casa da Misericóridia…
  • “As estradas e caminhos municipais necessitam de investimentos para assim melhor se escoarem os produtos provenientes das atividades agrícolas e de outras atividades ligadas à pequena indústria. Se por um lado as freguesias tem feito um esforço significativo, pelos parcos recursos financeiros que possuem, o executivo fica aquém das suas responsabilidades.”
  • “A melhoria das acessibilidades de ligação de Arcos de Valdevez aos municípios vizinhos e com a vizinha Espanha, sempre foi por nós considerada como prioritária. O eixo Braga-Monção deveria ser prioritário, dada a situação geográfica de Arcos de Valdevez. O executivo municipal há muito deu esta ligação como perdida e não tem feito as diligencias necessárias para mudar a situação.”
  • “A ligação que se pretende realizar do Parque industrial das Mogueiras ao IC28 seguindo o trajeto por Guilhadeses e ligando à rotunda do Pingo Doce, através de uma ponte a construir sobre o Rio Vez, sempre foi por nós entendida como uma péssima solução. Os custos são elevados, quer em termos financeiros quer para as populações afectadas, nomeadamente de Paçô, Guilhadeses e Tabaçô. Existem alternativas mais económicas e mais eficazes, quer em termos de distância à iC28 quer em termos de prejuízo para os residentes.”

Perante a minha intervenção, o Sr. Presidente da Assembleia Municipal sentiu-se incomodado e sentiu a necessidade de responder. Defendeu as suas políticas e a honorabilidade da Santa casa da Misericórdia assim como a vinda das empresas para os parques empresariais. O Sr. Presidente da Câmara reviu-se nas palavras do Sr. Presidente da Assembleia Municipal e, ainda referiu que critiquei as obras do Mercado Municipal.

Tive a oportunidade de defender a minha posição e esclareci que não somos contra os parque empresariais, apesar de ter dúvidas quanto à segurança ambiental da empresa defendida pelo Sr. Presidente e somos contra, isso sim, uma política de baixos salários. Sabemos que as empresas estão contentes com os trabalhadores arcuenses, mas os salários praticados são baixos e ter uma visão do concelho só com este tipo de emprego, não é, naturalmente a minha. Não é assim que se cria riqueza, porque essa fica nos administradores dessas empresas, que não são arcuenses.

Também esclareci que não pus em causa a honorabilidade da Santa Casa da Misericórdia. Vendeu o terreno pelo preço que lhe interessou. O executivo Municipal é que pode não ter defendido os interesses dos arcuenses. Assim como em relação à compra do seminário à Confraria da Peneda. A compra foi bem feita o destino do imóvel, e o que se fez entretanto, é que é discutível.

Em relação ao Sr. Presidente da Câmara, esclareci que entendeu mal, não critiquei as obras no mercado municipal… disse: “são bem vindas, mas não chega para apoiar a agricultura.”

Relativamente ao passado que tanto se orgulham, ficou a pergunta: Quantos habitantes tinha Arcos de Valdevez quando iniciaram os seus mandatos e quantos tem agora? É claro que o índice demográfico é mau em quase todo o país, mas o nosso concelho é mesmo muito mau.

Houve ainda declarações quanto à saúde dos arcuenses… mas não vou por esse caminho!

Ficam muito ofendidos com as nossas tomadas de posição e referem que tiveram maioria e por isso governam. Não ponho isso em causa, é democracia. Mas não é por terem maioria que temos que pensar como eles. Somos livres e pensamos pela nossa cabeça. Apoiamos quando estamos de acordo, opomo-nos quando não concordamos. Sim, não concordamos muitas vezes. E, de facto, não concordamos com a orientação política dos sucessivos executivos de Arcos de Valdevez. Penso que se poderia viver melhor em Arcos de Valdevez, mas em democracia, quem manda é o povo e é assim que o povo quer estar. No entanto, tenho, mais que o direito, a obrigação de lutar por um destino diferente para o concelho em que nasci e quero viver.

Álvaro Amorim

O “Não Acesso” às Mogueiras

Derrocada no Parque Empresarial das Mogueiras
Um talude no PEM

O Parque Empresarial das Moguerias (PEM), em Souto e Tabaçô, é um dos orgulhos do executivo municipal de Arcos de Valdevez. No entanto, na sua concepção cometeram-se vários erros, entre os quais o local escolhido ser completamente inadequado ao objectivo e não ter uma ligação directa a partir do IC28.

 

Quanto ao local, os custos da movimentação de terras e os taludes criados, são claros quanto ao tremendo erro cometido.

Relativamente ao acesso, o problema começou quando a Estradas de Portugal (agora Infraestruturas de Portugal), não construiu um nó de ligação na zona de Souto/Santar. Este nó, além de servir o PEM, serviria também os arcuenses destas freguesias que assim, para chegar ao IC28, tem que ir a Paçô ou a Padreiro. Estes arcuenses, levaram com os inconvenientes da IC e não tiveram os benefícios da mesma.

O executivo municipal quer agora estabelecer como ligação ao PEM, o nó de Paçô, seguindo pela N101 (Av. Osvaldo Gomes), construindo uma nova ponte a partir da rotunda do Pingo Doce, seguindo depois pela N202 por Guilhadeses e Tabaçô. O orçamento para esta intervenção, são cerca de 3,8 milhões de euros.

Mapa1
Mapa 1

Neste momento, há duas alternativas: o nós de Paçô (Mapa 1) ou Padreiro (Mapa 2).

A solução preconizada pelo executivo municipal tem vários problemas. Tal como a construção do PEM, a teimosia deste executivo vai criar um acesso, que na prática não é um acesso viável, perdendo a oportunidade para criar o necessário nó em Souto/Santar.

Mapa2
Mapa 2

Tal como o PEM tem prejudicado as populações vizinhas, pelo impacto da brutal movimentação de inertes, modificando a dinâmica hídrica da região e desvalorizando fortemente as propriedades ao redor, também esta acesso vai prejudicar todos os arcuasses que possuem habitações junto da N101 e N202.

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Mapa 3: Distância entre a localização possível do nó em Souto/Santar e o nó de Paçô.

 

O Sr. Presidente da Câmara apresenta esta solução como única solução aceite pela IP, pois esta recusa-se a “…construir um nó a menos de 1000 m de outro…”. Como se pode ver no mapa 3, este nó ficaria a 2000 m do nó de Paçô. Mais, apresenta esta solução em forma de chantagem, como sendo a única forma de a N202 ter o tapete reparado. Esta posição do Sr. Presidente da Câmara, mostra que não tem feito tudo para conseguir junto da IP, uma solução mais adequada para o acesso ao PEM e as obras necessárias na N202 e N101. É fácil, vindo dos concelhos vizinhos, perceber quando se entra na nossa terra, pela diferença da qualidade dos tapetes das estradas nacionais. Dantes, via-se essa diferença na fronteira de distrito. Agora, é Arcos de Valdevez que fica mal na figura e identificamos os seus limites pela qualidade do alcatrão e não pelas placas identificativas.

 

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A solução apresentada, tem vários problemas. Começa logo no seu inicio, pois inclui a Av. Osvaldo Gomes, um via urbana por definição, com inúmeras urbanizações e edifícios comerciais. A seguir, necessita da construção de mais uma travessia no Rio Vez, criando mais uma cicatriz num rio da Rede Natura 2000, num concelho que se promove como “Reserva da Biosfera”. Segue pela N202, onde existem inúmeras habitações à face da estrada, um lar de idosos e um infantário (Imagem 1), para além de outras construções de interesse publico. Segundo informações oficiosas, está prevista a construção de um viaduto nas Moguerias para contornar a sinuosidade do percurso.

 

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Imagem 2: Percurso directo da IC28 ao PEM

A solução directa, a partir de um nó em Souto/Santar, com cerca de 700 m, poderia utilizar, pelo menos em parte, a estrada municipal existente e ligaria directamente à entrada do PEM.

 

Questionado na reunião da Assembleia Municipal, o Sr. Presidente da Câmara não soube, ou não quis, dizer quantos camiões (estou a falar de camiões de grande tonelagem), estão previsto circular nesta via. Também não informou se os Sr.s Presidentes de Junta, estão a par das consequências desta solução.

Actualmente, mesmo com veículos pesados a fazerem os dois percursos alternativos, já se verificam queixas de pessoas que vivem junto da estrada. Com a concentração de todos os veículos num acesso, com a programada expansão da Eurocast, o número de veículos pesados, alguns com materiais perigosos, será muito maior e, provavelmente, insuportável para que investiu muitas das suas poupanças numa habitação numa zona que há uns anos atrás era perfeitamente calma.

(imagens e mapas obtidos a partir dos mapas da google e da aplicação google earth).

Álvaro Amorim

Assembleia Municipal de Junho de 2015

Câmara Municipal
Câmara Municipal

Decorreu no dia 26 de Junho a 3ª reunião da Assembleia Municipal de 2015. Dos pontos agendados, havia a discussão das contas consolidadas, protocolos com as freguesias, alteração ao PDM e instalação de 2 aerogeradores na Gavieira.

Os protocolos com as freguesias foram aprovados por unanimidade (apesar de manter as minhas reservas na forma de distribuição destes fundos).

As contas consolidadas foram aprovadas com a abstenção do Grupo Municipal do CDS-PP (a discussão era a mesma de Abril, mantendo-se as reservas que na altura foram apresentadas).

A alteração ao PDM foi aprovada também com a abstenção do Grupo Municipal do CDS-PP, tendo apresentado uma declaração de voto. A dinamização dos Parques Empresariais é importante, mas a localização do Parque Empresarial das Mogueiras foi muito mal escolhido. A movimentação de terras, devido aos elevados declives da zona, tem causado problemas ao executivo e, mais grave, aos residentes. É um erro do passado, que não dá para corrigir e que este executivo não faz nada para minimizar.

A instalação dos aerogeradores foi aprovada, com os votos contra do Grupo Municipal do CDS-PP. Dedicarei um artigo a este tema.

Antes da ordem do dia, foram aprovados vários votos de louvor, aos atletas e associações arcuenses que se tem evidenciado no panorama nacional e/ou distrital. Mas, o tema mais em destaque, foi a mini-hídrica de Sistelo, tema sobre o qual escreverei mais tarde.

Ainda no período antes da ordem do dia, questionei o Sr. Presidente da Câmara sobre para quando a abertura ao transito da ponte centenária do centro da vila e sobre quando havia a correção do piso das estradas do conselho, nomeadamente da N202 entre a vila e as Mogueiras, que se encontra em muito mau estado, pondo em perigo as pessoas que a utilizam. Quanto à ponte respondeu que estava difícil por causa das entidades envolvidas (a discussão pública da alteração do plano de pormenor da vila foi a discussão ainda no anterior mandato e previa a abertura da ponte ao trânsito automóvel. Relativamente à N202, fiquei mais preocupado com a resposta. O que foi dito pelo sr. Presidente da Câmara, é que tinha um projecto para uma nova via, a atravessar o Vez em frente ao Pingo Doce. Ou seja, o actual executivo continua a apostar em mais uma travessia, com todos os custos associados e impactos negativos na zona. O acesso ao Parque empresarial das Mogueiras, deveria ser feito em Santar, através de uma via directa ao IC28, e não utilizar a Av. DR. Osvaldo Gomes, que é uma via urbana. Este acesso em Santar estava previsto inicialmente, e é a única forma de minorar os constrangimentos do acesso ao Parque Empresarial das Mogueiras. Utilizar a N202, mesmo que se faça uma travessia em Guilhadezes, é claramente uma má opção, pondo em causa aquilo que começa a ser claramente uma zona urbana.

Há muito que critico a opção pela construção de uma nova ponte em Arcos de Valdevez. Já existem 3 na zona urbana da vila. Esta construção, além de ir destruir mais um corredor de vegetação nas margens do Vez, vai ter um custo para a autarquia completamente desnecessário. Mesmo que a obra seja co-financiada, não o é a 100 % e tem custos de manutenção. São estes recursos que devem ser canalizados para outras rubricas e que poderia, por exemplo, permitir baixar as taxas e impostos que os arcuenses pagam.

Álvaro Amorim

Assembleia Municipal de 24 Setembro de 2014

Pelourinho, Arcos de Valdevez
Pelourinho, Arcos de Valdevez

A Assembleia Municipal de Setembro serve, normalmente, para estabelecer algumas taxas de impostos municipais. Esta não foi excepção e estava previsto a discussão da isenção do IMT, para jovens até aos 35 anos (ou cuja soma de idades do casal não ultrapasse os 70) e a taxa de IMI para 2014 (a cobrar em 2015).

Numa tentativa de baixar a carga fiscal dos arcuenses, o CDS-PP apresentou uma proposta para a devolução do IRS que cabe ao município (5%). A mesa da assembleia recusou vota-la, mesmo como proposta de recomendação, evitando assim mostrar como o PSD dos Arcos defende a cobrança de impostos altos.

Relativamente ao IMI, o Grupo Municipal do CDS-PP, assim como os outros grupos municipais da oposição, propuseram uma taxa de 0,30% para os imóveis avaliados (o que, actualmente, são todos). Como era de prever, o PSD e os presidentes de junta do PSD votaram contra esta proposta, ficando assim a taxa de IMI em 0,35%.

As contas são fáceis de fazer. Para um prédio de 100.000#, o IMI, em 2015 será de 350€. Baixar 50€ não parece muito, se a taxa fosse 0,30%, mas é alguma coisa. Alguns podem dizer que as contas estão erradas, porque o ano passado a taxa era essa e não pagou esse valor… Pois não, porque o CDS-PP tinha garantido, a nível nacional, uma clausula de salvaguarda que impedia o aumento anual superior a 75€. Assim, um prédio que em 2012 pagou 15€, avaliado agora em 100 000€, passou a pagar em 2013, 90€, em 2014, 165€ e em 2015, 350€. As casas de turismo não pagam!

O  Presidente da Câmara queixou-se que iria receber menos dinheiro do estado e que precisava dos impostos municipais para a ação social. Mas também disse que, qualquer aumento de verba do IMI superior ao que recebeu em 2014 iria directamente para o Fundo de Apoio Municipal.

As palavras do Presidente da Câmara significam duas coisas: Não tem estratégia para o Município, ou melhor tem, é cobrar impostos, e está a obter fundos que não vão ser utilizados no concelho.

Se o excedente dos impostos vão para o fundo, então não vale a pena cobrar mais, porque a câmara não terá mais. E, como o executivo apregoa que tem um boa saúde financeira, esta posição é completamente desproporcionada e lesiva dos arcuenses.

Quanto à estratégia, com o nível fiscal que Arcos de Valdevez têm, corre-se o risco de só cá ficar quem precisa de apoio social, e depois vai-se buscar financiamento para o apoio social onde? Há pessoas que escolhem Ponte de Lima devido aos impostos serem mais baixos… O Sr. Presidente disse que não quer fazer “marketing” com impostos mais baixos, mas com “vive-se melhor em Arcos de Valdevez”. A pergunta que me ocorre é: Em que é que se vive melhor em Arcos de Valdevez do que em Ponte de Lima ou mesmo  Ponte da Barca?

Infelizmente, a única coisa que Arcos de Valdevez se pode gabar de ter melhor que os concelhos vizinhos, parece ser os parques empresariais. Mas, tirando meia dúzia de quadros superiores, a maioria de fora, os salários são baixos e não trazem tanta riqueza como isso ao município. Além disso, era interessante fazer um levantamento da origem dos trabalhadores dos nossos parques empresariais… Não estranharia se, os parcos salários que efectivamente se pagam, não fossem em grande parte para os concelhos vizinhos!

Aprovou-se ainda o isenção do IMT. A intervenção do CDS-PP no sentido de publicitar essa isenção é importante. De facto, é no único imposto que competimos com os nossos vizinhos mas poucos o sabem. E, um produto só vende se for conhecido.

Aprovaram-se também os protocolos com as freguesias. Mais uma vez, os critérios não são claros e freguesias com mais necessidades, com mais população e área significativa, recebem menos financiamentos. É claro que o Presidente  da Câmara diz que negoceia com os presidentes de junta. Claro que se os critérios fossem objectivos, e podiam ser, cada presidente sabia o que podia gastar e gastava onde a sua freguesia mais necessitasse. Assim, tem que andar a pedinchar para cada obra e, de facto, alguns têm  mais sorte.

Uma nota apenas para o tema “Ecovia”. O PS apresentou uma critica, no sentido que não deveria ter sido construída uma ecovia mas antes uma ciclovia, com piso adequado (cimento, pelo que percebi), longe do rio, entre Sistelo e Jolda. Típico do PS, que veio dizer que a culpa da nossa situação é dos reguladores e não dos governos PS! Gasta-se, mesmo que não haja, depois alguém paga… Ou não se paga! Há uma crítica, que estou de acordo e que também foi apresentada pelo Grupo Municipal do CDS-PP. A obra não foi correctamente planeada e está a ser mal, muito mal, executada. Os problemas com os proprietários, que já aqui referi, foram lamentáveis. O facto de não haver consolidação do piso, e não estou a considerar colocar um piso em cimento ou tudo em madeira, mas apenas a colocação de tela protectora consolidada com brita, tal como na margem esquerda do Lima, vai trazer enormes prejuízos. As chuvas recentes, uma amostra do que será o Inverno, já causaram destruição em alguns lugares. Removendo a camada de vegetação e deixando apenas a terra solta, facilmente a água destrói tudo. Pior, mesmo antes de chegarem as cheias, foram as águas de rega que, na zona de Távora, tornaou a via impraticável. Se nuns locais não se passava devido à lama, noutros quase não se distinguia a ecovia do campo ao lado. Ainda não fiz a ecovia para norte, mas na pontes em Prozelo e Gondoriz, também já não se distingue a ecovia do restante campo de cultivo, pois a vegetação invade uma ecovia pouco estável!

É pena, porque temos um diamante em Arcos de Valdevez, como foi dito por um deputado do PSD, mas o problema não é alguns o estragarem, o problema é a lapidação que o está a destruir…! Os arcuenses puseram a obra nas mãos de quem só sabe cobrar impostos!

Álvaro Amorim

A “Nova” Ponte de Santar

Ponte sobre o Vez, SantarA Ponte de Santar, tal como toda a ligação de Souto a Paçô, estava a precisar de obras. E, finalmente, elas foram feitas… Mas apenas na ponte, claro.

A Ponte de Santar, era uma obra de arte característica, com o tabuleiro em ferro associado a apoios em granito, típicas de uma época de construção em Portugal. Com as obras efectuadas, não só se recuperaram, e bem, as amparas laterais, como se substituiu o tabuleiro. E, quando digo substituiu, é que foi mesmo substituído no material e no conceito! Do antigo tabuleiro em ferro, só lembranças, porque o novo é em cimento, o novo material nobre em Arcos de Valdevez.

Há quem pense que só pontes medievais são monumentos a visitar. Mas outras, como a ponte centenária na vila, também descaracterizada quando lhe colocaram o piso e retiraram os candeeiros típicos, são procuradas por gente que tem interesse pela história do nosso país. Outras há, que estão escondidas…, mas disso falarei mais tarde, ou não. Por vezes as coisas estão bem, escondidas de certos “fazedores de obra”!

É lamentável que, de uma forma tão leviana, se descaracterizem estas obras de arte, que muito enriqueciam o concelho, e não se controlem “tradições” que começaram há meia dúzia de anos e que afugentam turistas.

A Ponte de Santar deixou de ser uma obra única para ser mais uma ponte em betão armado, com uns apliques de granito e ferro.

E, porque um concelho desenvolvido tem que ter filas de trânsito, colocaram-se semáforos para que o transito não fluísse normalmente, como nas últimas décadas. É certo que às vezes tínhamos que recuar um pouco, mas nada que um pouco de boa educação não resolvesse. Se assim não fosse, estávamos mal em tantas estradas municipais onde não passa um carro por outro e se tem que procurar um ponto mais largo da via para, a muito custo, lá se conseguir continuar a marcha.

Álvaro Amorim

 

636,76 € é a dívida de cada arcuense feita pela Câmara

dividaSegundo o novo portal da transparência municipal, 636,76 € é a dívida do município por habitante. Comparando com o vizinho município de Ponte de Lima, onde cada munícipe tem uma dívida de 48,81€, a diferença é abismal.

Mas há outros indicadores que mostram quão erradas tem sido as políticas do PSD em Arcos de Valdevez, por muito que se elogiem e condecorem ex-presidentes da Câmara.

Apesar da dívida ser maior, o índice de devolução fiscal em Arcos de Valdevez é de 82%, contra os 93% do município vizinho.

Uma curiosidade relativamente à constituição de novas empresas. Arcos de Valdevez, apesar de ter um centro de incubação de empresas, a IN.CUBO que é um sorvedouro de recursos, tem uma menor taxa de criação de empresas, per capita. 0,13 entidades por mil habitantes em Arcos de Valdevez contra 0,23 entidades por mil habitantes em Ponte de Lima. Esta diferença será uma das causas da diferença no volume de negócios médio mensal,  106.114€/mês em Arcos de Valdevez e 193.626 €/mês em Ponte de Lima.

Depois há os clássicos, como indice de envelhecimento, cerca de 279 em Arcos de Valdevez contra 133 em Ponte de Lima, 183 em Ponte da Barca, 222 em Paredes de Coura. Pior que nós, no Alto Minho, só mesmo Melgaço. Mas isto não é novidade!

Arcos de Valdevez necessita de uma inversão total nas políticas, de forma a melhorar estes indicadores. Não há como aumentar a taxa de natalidade sem criar condições de fixação dos jovens casais. A conjuntura do país justifica alguma coisa, mas não justifica tudo. Ponte de Lima, está no mesmo país e tem melhores indicadores. Porque tem seguido políticas diametralmente opostas às dos executivos arcuenses, está a passar pelas dificuldades de uma forma bem mais suave que Arcos de Valdevez.

PortalÁlvaro Amorim

 

Gerês Granfondo

Soajo - Arcos de Valdevez
Soajo – Arcos de Valdevez

Todos reconhecemos que, quando se fala de Parque Nacional Peneda-Gerês, há uma associação clara ao Gerês, Serra do Gerês e Vila do Gerês.

Conseguir associar a Serra de Soajo, ou mesmo a Peneda, ao PNPG é uma tarefa tanto imprescindível como difícil de realizar, por isso, todas as acções que possam contribuir para isso seriam de saudar.

Pelo contrário, todas as acções que contribuem para realçar esta discriminação negativa dos territórios do parque relativamente ao Gerês, são maus.

Isto, a propósito da realização do “Gerês Granfondo“, a 15 de Junho.

Sendo a Câmara dos Arcos um patrocinador institucional, seria de esperar que esta prova, que pode ser uma forma de divulgação do PNPG muito interessante, tivesse o nome de Peneda-Gerês Granfondo.

A Serra do Soajo, e o próprio concelho de Arcos de Valdevez, sendo uma das áreas mais significativas do PNPG, continua a ser subvalorizado em detrimento do  Gerês… e a culpa só pode ser dos sucessivos executivos municipais de Arcos de Valdevez. Cada um, tem que olhar pelo seu território e não se pode estar à espera que as coisas caiam dos Céu.

AA