Sistelo, Paisagem Cultural

No âmbito da candidatura de Sistelo a Paisagem Cultural, várias iniciativas tem sido realizadas.

A mais recente, um video que mostra ao mundo o que é Sistelo.

Mais informação em Loving the Planet

Filme no Youtube

Sistelo, Padrão

Sistelo, Padrão, Arcos de Valdevez (Carregar na imagem para ver o filme).

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As árvores morrem de pé, ou não

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A “Volta da Lamela” depois da razia de ripícolas.

A politica de gestão dos espaços verdes e o tipo de plantas a plantar, tipo de poda, etc., há muito que é, no mínimo, questionável.

São poucas as áreas que não sofrem com a falta de “cultura botânica” que reside há muitos anos nos executivos municipais em Arcos de Valdevez. Até mesmo o Campo do Transladário com a sua magnifica avenida de tílias tem sofrido fortemente, dando nesta altura uma pálida imagem do que já foi. A justificação é normalmente a mesma: perigo de queda das árvores antigas. O problema, é que estas “árvores antigas” ficam doentes devido a um tipo de poda completamente desadequado, que fragiliza os caules. O que é certo, é que ainda vão demorar uns longos anos para as tílias voltarem a dar uma imagem de imponência a este espaço nobre.

Arcos de Valdevez, Jardim dos Centenários

O Jardim dos Centenários, ainda com uma boa densidade arbórea

O Jardim dos Centenários (não sei se depois da remoção do marco, ainda se justifica manter o nome), também tem sofrido da incúria dos executivos municipais. As árvores magnificas que tinha tem vindo a morrer e não são substituídas por outras iguais.

Mas o que me leva a escrever este artigo, é o que se tem passado ultimamente nas ruas da vila e nas margens do Rio Vez.

Nas ruas da vila, tem sido substituídas árvores ornamentais há muito estabelecidas por novas espécies. Uma das justificações, pelo que sei, é que as novas árvores e arbustos são autóctones.

Vamos por partes:

Na Alameda Dr. Francisco Sá Carneiro, criou-se uma “floresta” de carvalhos e azevinhos. Quanto a isso, nada a opor, a ideia é boa. Mas, destruíram uma série de azáleas que poderiam perfeitamente conviver com as novas árvores. Tanto podiam, que este ano, resolveram plantar novas… Claro, daqui a muitos anos, terão a envergadura das destruídas.

No Largo da Lapa, a substituição das magnólias (Magnolia grandiflora), por cerejeiras de flor é positiva. Claro que a intervenção original na Lapa tem vários erros, e as magnólias, um deles.

Mas, nesta onda de substituição, o que me chocou foi a substituição das magnólias caducifólias (também conhecidas como tulipeiros) em frente ao mercado municipal. A justificação parece ter sido a tal da utilização de espécies autóctones… A questão que se coloca é, se alguém conhece cerejeiras, ameixeiras ou pereiras bravas com este tipo de flor em Portugal? Como é lógico, as plantas utilizadas são tudo menos naturais da nossa região. São árvores ornamentais muito bonitas, assim como as magnólias.

Para compor o ramalhete, a câmara fez uma intervenção no Rio Vez que me parece completamente absurda.

Rio Vez, Arcos de Valdevez (Choupo Branco)

Ramos novos do álamo. Este nunca mais pode ser admirado.

Na margem esquerda, na Volta da Lamela, cortou uma série de amieiros e, mais grave, um álamo ou choupo branco (Populus alba), uma árvore bastante rara. Sendo considerada uma árvore ornamental, pela beleza das suas folhas, aveludadas na pagina inferior, era exemplar único naquele lugar. Existem, no piolho, alguns exemplares, que espero que resistam a esta febre destruidora deste executivo municipal.

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Pé de uma árvore recentemente abatida. Sem sinais de doença.

A desculpa para o abate destas árvores, parece ter sido o facto de terem alguns ramos sem folhas. De facto, quem percorria o passeio pedestre, verificava que uma ou outra, mais perto do açude, precisavam de alguma intervenção, incluindo um carvalho que ali existia. Mas, como disse atrás, este executivo manda podar as árvores exageradamente, quando os seus ramos estãocheios de vida e, corta pelo pé, aquelas que tem alguns ramos que não mostram folhas.

 

 

Rio Vez, Valeta

As mesmas árvores…

Já agora, gostava de saber se os dois salgueiros chorões na margem direita, junto à valeta,
também estavam doentes…

Rio Vez, Arcos de Valdevez

Salgueiro chorão (ou vimeiro), que estava na hora errada no lugar errado.

É curioso que, o único amieiro caído, estava tombado para o rio e foi arrancado pela raiz. Estas árvores tem resistido estoicamente a fortes vendavais, só não resistem à fúria cortadora das motosserras… e, não lhes dão o direito de morrer de pé!

Sou naturalmente, até fruto da minha formação, sensível à questão das espécies autóctones. Mas não sou fundamentalista, e quando estamos a falar de árvores ornamentais, temos naturalmente de importar variedades que tenham características florais diferentes das nossas.

A mim, choca-me a falta de sensibilidade deste responsáveis municipais que fazem e desfazem sem critério e ai sabor do vento. Se a moda são aceres, plantam-se aceres em todo o lado. Se são cerejeiras do Japão, é só estas variedades… e por aí fora.

As árvores morrem de pé, se não viverem em Arcos de Valdevez.

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Feliz 2016

2016

Que 2016 seja para todos melhor que 2015!

Álvaro Amorim

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Feliz Natal 2015

Postal

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Mini-Hídrica da Peneda

PenedaInfelizmente não pude estar presente na última reunião da Assembleia Municipal. Pelas informações que me chegaram e pelo que li no jornal Notícias dos Arcos, a posição assumida pelo Grupo Municipal do CDS foi criticada pelo PS, por ter apoiado a reactivação da Mini-Hídrica da Peneda.

Já anteriormente  tinham criticado por não votar favoravelmente a construção de duas torres eólicas na Serra da Peneda, como se a nossa posição dependesse dos ventos que correm.

Parece-me que custa muito a algumas pessoas, talvez por estarem mais preocupadas em campanhas eleitorais do que em lutar pelo que realmente é essencial para os arcuenses puderem ter maior desenvolvimento, que cada projecto tem méritos e deméritos.

Apesar de, pessoalmente, não gostar de eólicas, reconheço que “plantar” um parque eólico no Extremo ou Padroso, não é o mesmo que a 500 m do limite do Parque Nacional Peneda Gerês. O potencial turísticos dos dois locais não tem comparação, apesar do Extremo e Padroso terem uma paisagem impar, como todo o concelho, por isso temos de ponderar e viabilidade desse investimento e do que pode trazer às populações, daí a nossa abstenção. Mas isso, foi há anos atrás, nesta altura, parece-me que o Solar é a solução e deve ser essa a nossa aposta. E, abster, é ter dúvidas, neste caso do efectivo ganho das populações.

Mas, o Solar não é suficiente, pois há a noite e há o Inverno e as baterias ainda estão tecnologicamente atrasadas. Por isso, algumas barragens e, sobretudo, mini-hídricas, tem de ser construídas. Mas claro, sem serem atentados ao património natural, como a do Rio Sabor e a, felizmente chumbada, mini-hídrica de Sistelo. Mini-hídricas em fio de água, de uma forma parecida com o que se faz nos tradicionais moinhos, pode ser uma opção para a microgeração. Sem qualquer impacto no meio ambiente, ou melhor, semelhante ao que existe nas pesqueiras e moinhos.

Comparar a mini-hídrica de Sistelo, em que o Rio Vez seria desviado do seu leito em quase 6Km, à reactivação de uma estrutura com décadas, é no mínimo não saber do que está a falar. E, neste como em muitos casos, apesar da eloquência política, não sabem bem o que dizem.

Na Peneda, a represa, existe. As canalizações existem. A central existe, mas está parada. O que está em causa é reativar a mesma. Nas mesmas condições.

Parece-me que o PS, neste assunto anda perdido. Preocupou-se mais, no caso de Sistelo, em ver quem mais tinha feito pela mobilização das pessoas, mas nem um parecer foram capazes de elaborar contra a construção do mesmo. Votaram contra a reativação da mini-hídrica da Peneda, porque será moda e ficaram incomodados com a posição do CDS dos Arcos, e, na falta de melhor argumento, vem a chamada incoerência! Não estive na Assembleia Municipal, mas estou solidário com a posição assumida e, pelo que me disseram, e li no NA, o Mário Ventura defendeu com elevação e sabedoria a posição assumida, que é também a minha. Infelizmente, os editores noticiosos gostam mais de “pregonas” como “incoerência” do que noticiar de uma forma isenta o que se passa e explicar aos arcuenses o que vai ser feito na Peneda.

Por mim, tenho a certeza que quando puder voltar à Senhora da Peneda, poderei usufruir da beleza da paisagem, da bela cascata e até fazer um refeição no agradável Hotel da Peneda.

Álvaro Amorim

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O Rio Vez e Sistelo Venceram

Sistelo, Padrão, Arcos de Valdevez

Sistelo, Padrão, Arcos de Valdevez

A mini-hídrica prevista para o Rio Vez, em Sistelo, está reprovada, pelo menos por agora. A Secretaria de Estado do Ambiente deu parecer desfavorável ao Aproveitamento Hidroelétrico de Sistelo, após a consulta pública que decorreu entre 11 de Maio e 5 de Junho.

Depois de divulgada a consulta pública, que coincidiu com a convocatória para a reunião do executivo  municipal de Arcos de Valdevez com o objectivo de aprovar o parecer obrigatório da Câmara Municipal, gerou-se uma contestação pública que culminou com 3 manifestações importantíssimas para o processo:

  • A lotação do auditório da Casa das Artes na sessão de esclarecimento público.
  • A concentração no dia 4 na Praça Municipal e na sobrelotação do Salão Nobre da Câmara Municipal para assistir à posição do executivo relativamente ao projecto (mais propriamente do Sr. Presidente da Câmara e dos Sr.s Vereadores do PSD, porque a posição da oposição era conhecida há muito).
  • A apresentação de pareceres por parte de Entidades da Administração Local (24), como juntas de freguesia, associações ambientalistas (3),  Associações e outros movimentos da sociedade civil (11), entre elas o Grupo Municipal do CDS-PP, a concelhia do PCP e o Grupo do CDS-PP da Assembleia de Freguesia de Sistelo. Mais significativo, foram os 82 cidadãos a nível individual, um abaixo assinado com 222 assinaturas e uma petição com 4822 assinaturas.

De todas as organizações, nota-se a ausência dos dois partidos com maior representação quer na Assembleia Municipal quer no executivo. O PSD e o PS não aparecem na lista de entidades, com nenhuma das suas estruturas. Apenas algumas das suas Juntas de Freguesia apresentaram contribuições contra a construção da mini-hídrica. Curiosamente, foram estas duas forças partidárias que mais se digladiaram nas reuniões do executivo e na Assembleia Municipal sobre qual mais tinha feito na contestação ao projecto.

Por agora, o projecto está parado. O parecer da comissão de avaliação é bem claro, pelo que dificilmente o promotor consegue minimizar alguns dos problemas levantados. Este parecer não pode ser ignorado em futuros projectos.

Destaco parte das considerações do parecer da comissão de avaliação, que vem de encontro ao que foi dito pela representante da comissão presente na Casa das Artes, na sessão de esclarecimento “… digam o que vos vai no coração!” e que contraria o que me tinha dito o responsável máximo na Câmara Municipal, quando lhe fui pedir para consultar o projecto e como podia participar: “o projecto está praticamente aprovado, só com um parecer técnico muito forte e objectivo. Não valia a pena dizer que o Rio Vez era importante para os arcuenses. Não vale a pena falar com o coração…”

Do parecer (pode ser consultado aqui – APA):

Uma forte contestação à implantação do Aproveitamento Hidroelétrico (AHE) do Sistelo é o que emerge da análise dos pareceres recebidos, e cujos aspetos mais relevantes se sintetizam em seguida.

Esta posição, unanimemente, defendida por cidadãos, autarquias, organizações não-governamentais de ambiente, associações e outros representantes da sociedade civil é corroborada pelo facto de não terem sido identificadas, na sua perspetiva, mais-valias significativas que justificassem os impactes negativos relevantes, significativos e irreversíveis decorrentes da implantação do projeto.

Como é sublinhado, amiúde, o Sistelo é dos poucos locais onde ainda é possível observar a sociedade em diálogo com a natureza, a serra e o rio. O Vez irriga campos, aciona moinhos e azenhas, dá vida a várias praias fluviais. É com este valor que as gentes de Valdevez se habituaram a viver ao longo dos séculos, e que nas últimas décadas, tem sido um atrativo turístico de enorme valor e que tem mobilizado a economia local em torno de valores como as praias fluviais, ecovias e trilhos pelo que este local com características rurais únicas, socalcos rasgados pela força humana e rede de regadio que se alimenta a jusante do pretendido açude, merece bem o respeito e a sua preservação.

Em suma, o rio Vez é um curso de água bastante preservado, ainda sem intervenções antrópicas, o que lhe confere um estatuto ecológico de enorme importância. Concomitantemente a este aspeto possui uma grande atratividade turística fazendo dele e da sua envolvente um sítio único. Este atributo assenta também na biodiversidade que lhe está associada, e que ficará ameaçada com a construção do projeto.

Álvaro Amorim

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O lagarto da Peneda…

Não, não é um réptil endógeno da Serra da Penda, no PNPG, é antes uma “escultura” feita pelos elementos ao longo de milhões de anos!

Fica mesmo na fronteira entre Arcos de Valdevez e Melgaço, na estrada entre a Srª da Penda e Lamas de Mouro.

Vale a pena uma visita!

Álvaro Amorim

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