O Estado das estradas…

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Estradas Nacionais 202 e 101 de Souto a Sabadim

Ponto prévio: As Câmaras Municipais têm, mais que o poder,  a obrigação de intervir sempre que a segurança das populações está em causa, seja em equipamentos municipais, privados ou governamentais.

 

Vem isto a propósito do estado lastimoso em que se encontram grande parte das estradas no concelho de Arcos de Valdevez. É certo que, se em algumas freguesias houve algum investimento de última hora, para mostrar trabalho para as próximas eleições autárquicas, há ainda muito que fazer. Como não há uma manutenção sustentada das vias de comunicação, põe-se em ano de eleições meio concelho em obras, para assim se poder dizer que se investiram milhões na melhoria destas vias.

Há no entanto uma situação que é mais problemática e que há anos que se arrasta: As Estradas Nacionais (sobretudo a EN101 e EN202). Por serem nacionais, a responsabilidade da sua manutenção é da Infraestruturas de Portugal (IP). A EN 202 começa em Jolda, passa pela vila e segue para Soajo. A EN101, faz parte da ligação Braga-Monção.

Sempre que questionados por nós, os executivos municipais dizem que a responsabilidade não é deles. Finalmente, neste último ano, uma boa noticia: haveria reparação do piso na EN101 a partir da rotunda da variante e da EN202 em Guilhadeses.

A primeira ainda avançou a segunda, ficou para as calendas gregas… mas, num concelho onde há filhos e enteados, só a freguesia de Guilhadeses seria filha, sendo que, Souto e Tabaçô ficariam como enteadas… Isto, já para não falar do troço entre Souto e Jolda, que, apesar de mau, não está tão perigoso como os referidos.

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Troço da EN101 desclassificado e agora Estrada Municipal

Ora, se estes troços são da jurisdição da IP, já o mesmo não se pode dizer na antiga EN101, em Paçô e entre a rotunda da Ponte Nova e a rotunda da Variante, em Prozelo. Estes dois troços, são da exclusiva responsabilidade da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e o seu estado deve-se apenas à má gestão dos recursos municipais.

Muitos destes problemas não existiriam se a Câmara Municipal exigisse às empresas que utilizam as estradas para instalar serviços, deixar o piso em boas condições. Quer nas estradas nacionais, quer nas estradas municipais, logo que há a instalação de um serviço, o remendo fica bem visível. Ao fim de pouco tempo fica um desnível que atenta contra a segurança da circulação.

Estes dois troços da ex N101, são exemplo disso, havendo um enorme buraco no local aberto para instalar, nestes casos, o saneamento. Quer um quer outro, colocam a segurança dos automobilistas em perigo. O troço de Paçô, ainda é mais grave, pois muita gente usa esta via para ter acesso à Ecovia, uma vez que ela não existe na margem esquerda do Vez.

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Dispositivo para experimentar os amortecedores do automóvel na EN101.

Se houvesse preocupação de repor o piso adequadamente, o estado das vias não se degradava tão rapidamente e não seriam os cofres municipais a suportar essas reparações, como acontece em concelhos vizinhos, onde após a instalação dos serviços, os tapetes asfaltados são devidamente corrigidos.

Mas, claro, isto é pedir muito, se mesmo no troço agora melhorado, da N101, as tampas do saneamento ficaram desniveladas. Provavelmente, é paramos não esquecermos que em Arcos de Valdevez existe saneamento… alguém se podia esquecer, visto o que aparece frequentemente no Rio Vez!

 

 

Álvaro Amorim

 

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