Assembleia Municipal de Junho de 2017

Imagem da Casa das Artes
Casa das Artes, arcos.

Antes dos tristes acontecimentos relatados no artigo anterior, no Período Antes da Ordem do Dia, houve alguma discussão política.

Os Grupos Municipais, começaram por estar unanimemente de acordo na solidariedade às vitimas de Pedrógão Grande.

Na minha intervenção procurei fazer um breve balanço deste mandato autárquico. A referência à última entrevista do Sr. Presidente da Câmara ao Noticias dos Arcos tinha que ser referida:

“O Sr. Presidente da Câmara referiu, em entrevista ao Noticias dos Arcos, que executou 80 milhões de euros, enumerando algumas obras que realizou. Mas, a questão que colocamos, é: que beneficio trouxeram estes 80 milhões de euros para as populações de Arcos de Valdevez? Houve melhoria em termos demográficos? A pirâmide etária está hoje mais equilibrada? Melhoramos o nosso rendimento per capita? (encontramo-nos na cauda do distrito de Viana do Castelo, que já por si se encontra abaixo da média nacional). No ranking dos municípios do distrito de Viana do Castelo, Arcos de Valdevez aparece com um valor per capita de 68,44 % da média nacional, apenas à frente de Ponte da Barca, Paredes de Coura e Melgaço, uma posição da qual não nos devemos orgulhar.

Os Arcuenses continuam a ter que emigrar e os jovens não encontram forma de se fixarem.”

Também referi, algumas das medidas alternativas que podem melhorar as condições de vida do concelho:

“A questão da zona urbana da vila, do centro histórico, continua com estrangulamentos. Ainda hoje continuam por resolver problemas como a abertura da ponte velha ao transito rodoviário, a remoção de vários obstáculos urbanísticos, a questão do estacionamento e, o redimensionamento dos fluxos de transito. A ligação através de uma via rápida de Arcos de Valdevez a Braga…”

.”..defendemos o estabelecimento de uma fórmula que tenha nas suas variáveis objetivos, de forma a todas as freguesias receberem verbas equitativamente.”

“…um projeto para Arcos de Valdevez, que passa pelo turismo, pela agricultura (a fileira da floresta e o vinho são dois segmentos que devem ter a máxima atenção, mas o apoio a novas culturas que possam trazer valor acrescentado é também prioritário), por incentivar o comércio local. Não descuramos a industria (sobretudo industrias amigas do ambiente)…”

“o executivo não deveria cobrar aos munícipes a taxa variável de IRS. Num intervalo de 0% a 5% do IRS, a câmara municipal estabeleceu o valor de 4,5 % a cobrar aos munícipes. O IMI (imposto municipal de imóveis) em nosso entender deveria ir para os valores mínimos.”

Por outro lado, consideramos que alguns investimentos realizados, ficaram aquém das potencialidades que poderiam ter. O Paço de Giela, apesar da edifício em si ter sido recuperado e lhe terem devolvido a beleza do passado, podia ter um aproveitamento turístico muito mais de acordo com a sua importância. A Ecovia, que permite passeios majestosos junto à margem do Vez e Lima, foi mal construída e, apesar de já ter consumido cerca de um milhão de euros, continua incompleta.

Relativamente a esta intervenção, o Sr. Presidente respondeu que era contra a construção da Ecovia e a reconstrução do Paço de Giela, além de não conhecer o concelho, referindo os muito milhões de euros já investidos… Pôs em causa ainda o meu profissionalismo, ao acusar-me de não falar das coisas boas que faz na educação.

Tive oportunidade de lhe responder, referindo várias coisas:

  • Não misturo a politica com o meu trabalho. Não falo de política na minha sala de aula e não falo da escola onde trabalho na Assembleia Municipal.
  • Deturpa, constantemente, o meu discurso. Nunca fui, nem o CDS-Arcos foi, contra a Ecovia ou o restauro do Paço de Giela. Apenas considero que ambos os projectos podiam ir mais além. A Ecovia deveria ter sido melhor planificada e executada. O Paço de Giela, merecia outra dinamização. São dois projectos emblemáticos que mostram a falta de ambição deste executivo em transformar os equipamentos arcuenses em referência a nível nacional.

Duas notas para referir as intervenções do PSD:

  • Foram anunciar tantos milhões, que parecia que os 80 000 000 € que o Sr. Presidente refere que executou durante este mandato, eram uma ínfima parte do que realmente aconteceu. Só quando o Sr. Presidente reforçou esses investimentos com exemplos de obras, é que percebemos que estavam a somar investimentos que vinham do mandato anterior (Posto de Comando Territorial da GNR, que até foi um investimento directo do MAI), com outros que vão para além deste mandato, como a revitalizarão urbana (4 milhões, mas que está agora a iniciar), requalificação da escola (outro investimento directo do governo central, neste caso ME), etc.
  • Elogiaram o facto de haver consulta aberta nas Unidade de Saúde Familiar até à meia noite e ao Fim de Semana. Esta constatação, mostra de facto a pouca ambição deste PSD e deste executivo municipal. O que deveria haver, não era uma consulta aberta, mas um serviço de urgência básica. Todos se lembram das situações de emergência que ocorreram à porta das unidades e, estas não tinham condições para socorrer tendo sido enviados de urgência para Ponte de Lima. É positivo, quando se tem uma cefaleia, poder ter uma consulta… mas se tiver um enfarte do miocárdio, não haver condições de salvar a pessoa.

Nos últimos 40 anos de poder autárquico, em especial desde inicio dos anos 90 em que há fundos europeus, o município gastou entre mil a dois mil milhões de euros. O concelho está melhor… era o que mais faltava que não estivesse… todos os municípios estão melhores. O que é certo, é que estamos melhores, mas estamos na cauda em relação aos principais indicadores de qualidade de vida e desenvolvimento. Temos hoje, quase metade da população e cada vez mais envelhecida.

Álvaro Amorim

 

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O Paço de Giela merecia mais, muito mais!

Paço de Giela (CMAV)
Paço de Giela (CMAV)

Sábado, 11 de Julho de 2015, dia de S. Bento e do Concelho de Arcos de Valdevez. Ponto alto, a inauguração da consolidação da ruína do Paço de Giela e do museu interactivo da torre do mesmo.

O Paço de Giela representa muito da história do concelho. Ao contrário do que foi dito pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal, a história do Concelho é muito anterior aos 500 anos da atribuição por D. Manuel I da carta de Foral às Terras de Valdevez, sendo acompanhada pela história do próprio Paço. Desde as construções mais primitivas, até ao corpo Manuelino, com as suas magnificas janelas, símbolos inequívocos deste estilo, o Paço de Giela acompanhou a história de Portugal e de Arcos de Valdevez.

A recuperação do Paço de Giela, Monumento Nacional desde 1910, era imperativa e só peca por tardia. A imagem deste monumento passou a ser moderna e de segurança na sua preservação. Pelo que me foi permitido ver, a recuperação das estruturas, Paço de Giela, Casa dos Caseiros e Capela de Santa Apolónia, foi bem conseguida.

A cerimónia de inauguração teve a importância que o Paço de Giela merece, com a presença do Sr. Primeiro Ministro de Portugal.

Mas o Paço de Giela, como monumento nacional e um equipamento  municipal de primeira ordem, deveria ter mais qualquer coisa. É certo que o Paço de Giela só por si, merece ser visitado e isso aconteceria mesmo que só houvesse a consolidação das paredes. Mas isso seria pouco. O Executivo municipal decidiu, e bem, que seria necessário mais e por isso idealizou para o local um museu… Mas apenas para a torre. E, assim, nos 3 pisos da torre, colocou 3 salas museológicas que contam a história de Arcos de Valdevez.

Das 3 salas, a que é de facto uma mais valia e que poderia servir de modelo para todo o equipamento, é a do piso inferior. Nesta, podem-se contemplar alguns artefactos da ocupação das Terras de Valdevez até ao nascimento da nacionalidade, nomeadamente achados em alguns, dos inúmeros castros abandonados, existentes no concelho. A segunda sala restringe-se a um monitor interactivo que conta a história do Paço de Giela. A superior, tem a apresentação de um filme sobre a história do Recontro de Valdevez. Tem mais dois figurinos, que representam Afonso VI de Castela e Dom Afonso Henriques.

Por fim, chega-se ao topo da torre, de onde se pode apreciar a vista sobre a vila de Arcos de Valdevez e grande parte do Vale do Vez… uma vista fantástica!

Mas, como disse, o Paço de Giela merecia muito mais. É uma pena que o paço propriamente dito sirva apenas de passagem para a torre. É uma pena que não se tenha aproveitado a oportunidade e se tenha instalado neste espaço um museu etnográfico das Terras de Valdevez. Poderia o museu, uma carência em Arcos de Valdevez, mostrar o riquíssimo “património material e imaterial” referido nos discursos da inauguração.

Resta-nos a esperança, agora que o Paço de Giela está recuperado e preservado, que um futuro executivo na Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, tenha uma visão mais abrangente e possa terminar o que agora foi começado.

Álvaro Amorim

Paço de Giela: Recuperação ou ruína?

Paço de Giela
Paço de Giela

Muito se tem dito sobre o projecto para o Paço de Giela, que a Câmara Municipal tem em execução.

Vamos lá então esclarecer o que está previsto para este monumento nacional, classificado como tal em 1910!

O conjunto do Paço de Giela é constituído pelo edifício principal e algumas construções adjacentes. O edifício principal é constituído por uma torre e por um corpo, a parte realmente que corresponde ao paço. As duas partes tem datas de construção diferentes, sendo a torre “baixo-medieval” e o paço do século XVI (IGESPAR). Não existe nenhuma ligação interna entre a torre e o paço, sendo, na prática, construções independentes.

Vista de topo do Paço de Giela
Vista de topo do Paço de Giela
Torre do Paço de Giela
Torre do Paço de Giela

O que se pretende com o projecto que se encontra em  execução, é aproveitar a torre, e apenas a torre, para a instalação de equipamentos digitais onde estarão disponíveis aplicações interactivas que abordem alguns temas, como a história do concelho, incluindo o Torneio de Valdevez. Haverá assim, 3 zonas temáticas em que os visitantes poderão assistir a apresentações, mais ou menos interactivas, todas na torre. 

CarinaO paço, a parte em forma de L, mais baixa, construída no sec. XVI, de traço manuelino, de onde se destacam as janelas rendilhadas, será consolidado e manter-se-à sem qualquer utilização. É referida como “ruína consolidada”! Na Assembleia Municipal, o Presidente da Câmara não me respondeu à questão sobre a reposição dos melões, entretanto caídos. No Paço, quase não resta nenhum em pé. O que é certo, é que apenas será consolidada a ruína, na prática,  sem qualquer utilização. É bonita, sim, mas inútil!

Paço de Giela
Paço de Giela

Quanto às casas adjacentes, que fazem parte do conjunto, não sei qual destino. Talvez infra-estruturas de apoio, como balneários, mas não posso afirmar isso com certeza!

Para esta obra, estão previstos 1,8 milhões de euros. Com este dinheiro, poder-se-ia fazer uma intervenção muito interessante, recuperando todo o edifício, torre e paço, instalando um museu etnográfico.

A questão que se coloca, para além de não fazer uma recuperação do paço para uma real utilização, é qual a utilidade de uma infra-estrutura em que apenas apresenta aos turistas dispositivos digitais!

Normalmente, os turistas querem ver objectos que mostrem a história das tradições locais. Daí a importância de um museu etnográfico, que poderia ter uma divulgação na internet que fosse atractiva e aumentasse as visitas ao museu!

A única consolação, é que não há destruição do edifício e, quando alguém de melhor gosto governe a câmara, o museu pode ser construído!

Álvaro Amorim

Variante à EN 101

Foi inaugurada, esta quinta feira, 8 de dezembro, a nova variante à estrada nacional 101, ligando o nó da IC28 a Prozelo, passando por Paçô e Arcos São Paio.

Uma variante à vila dos Arcos de Valdevez, há muitas décadas que é discutida. A possibilidade de passar de um extremo ao outro da vila, sem passar no centro urbano, sempre foi um sonho. No entanto, a orografia do vale do Vez, em especial o local onde se situa a vila, agravado pela construção que ao longo dos tempos foi feita, tornam esta vontade de difícil execução.

A obra inaugurada, com um discurso emotivo do Sr. Presidente da Câmara, que acredito que sinta orgulho nela, não é no entanto a solução mais adequada para a vida dos arcuenses. Esta solução vai beneficiar sobretudo quem procura chegar da IC28 ou de Braga a Monção. É certo que a via que vem por Vila Verde não é atractiva, mas é bastante mais económica que a auto-estrada, que nos tempos que correm não é de menor importância. Também beneficia quem, vindo dos mesmos locais, pretende chegar ao Soajo, e, naturalmente, ao PNPG. Estes benefícios tem, no entanto, o inconveniente desviar as pessoas da vila e por isso poder dinamizar a economia. É certo que as excursões que antes paravam no campo do transladário e enchiam os cafés da zona, podem parar em Soajo, o que acabará por ser positivo para as populações do PNPG. No entanto, quem se dirigia para Monção, e tinha a tentação de parar e consumir na Vila, não o fará de certeza.

As vias de comunicação são essenciais para o desenvolvimento de uma região. Poderá ser discutível se essas vias serão apenas as estradas… Mas, normalmente, são vias que aproximam uma região de pontos importantes, como grandes centros urbanos, portos, aeroportos, fronteiras…  Infelizmente, estes 16 milhões de euros gastos nesta via, não nos aproximam de nada, podem desviar visitantes e, pior que tudo, não vão resolver as filas de trânsito que no Verão e nas horas de inicio e fim de aulas se verificam em alguns pontos da vila.

Em termos de arcuenses, parece-me que os únicos que podem ser realmente beneficiados, são os habitantes de S. Jorge, Vale que, querendo ir passear para Ponte de Lima e Viana, não precisam de passar no centro da vila.

Julgo que faz mais pelo trânsito na vila os 500 m da nova via urbana em S. Paio, que estes 6 Km.

No seu discurso de inauguração, o Sr. Presidente dizia que tinha orgulho de deixar às gerações próximas uma obra que lhes permitia viver melhor e ter mais oportunidades. Infelizmente, pertence ao lote dos políticos, que é quase a totalidade deles, que acha que as dividas não se pagam e que  é tudo grátis. Infelizmente, o que fica para uma parte da geração actual e para as próximas é uma dívida astronómica, que pode obriga-los a emigrar e simplesmente não usufruir das grandes obras por cá realizadas!

AA

Parque Urbano do Paço de Giela

A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez apresentou publicamente os projectos para a requalificação da zona envolvente ao Paço de Giela.

Este importante património nacional, há muito que está à espera de uma intervenção. Infelizmente, tal como a casa de requeijo, continua sem uma utilização digna e promotora do concelho. Quando havia fundos estruturais em abundância e com financiamento a 100%, nada de fez, agora, além de mais oneroso para nós, os financiamentos também podem impedir uma solução final. Aguardemos…

A exposição dos projectos encontra-se aberta ao público no Parque de Exposições e deve ser visitada.

Pelo que vi, foram apresentadas algumas propostas interessantes, se bem que, eu pegava em algumas ideias de vários projectos, e utilizava-as.

O projecto vencedor parece-me interessante, mas não seria a minha primeira escolha. No entanto, parece-me equilibrado e bem integrado. O anfiteatro parece-me pouco versátil. O Hotel, é moderno, mas parece bem integrado.

Gostei especialmente da proposta de um dos projectos, em relação a um percurso cultural com o tema do Padre Himalaia.

No entanto, há algumas questões que se levantam. Primeiro, se o actual hotel em construção for algum dia acabado, ficamos com duas estruturas hoteleiras. Será que se justifica? Não conheço os estudos, mas é certo que nesta zona, a aposta em turismo de massas não será o mais indicado, pelo que a aposta em pequenas unidades de turismo rural continua a ser a vertente mais interessante.

Nos projectos, nada é apresentado para o Paço de Giela em si… será que continuará a ruína, e fica apenas como postal de visita? Como disse atrás, o Paço, assim como a casa de requeijo, deveriam ser os principais pólos de atração, pois hotéis e picadeiros há muitos pelo pais…!

AA