As árvores morrem de pé, ou não

IMG_0728
A “Volta da Lamela” depois da razia de ripícolas.

A politica de gestão dos espaços verdes e o tipo de plantas a plantar, tipo de poda, etc., há muito que é, no mínimo, questionável.

São poucas as áreas que não sofrem com a falta de “cultura botânica” que reside há muitos anos nos executivos municipais em Arcos de Valdevez. Até mesmo o Campo do Transladário com a sua magnifica avenida de tílias tem sofrido fortemente, dando nesta altura uma pálida imagem do que já foi. A justificação é normalmente a mesma: perigo de queda das árvores antigas. O problema, é que estas “árvores antigas” ficam doentes devido a um tipo de poda completamente desadequado, que fragiliza os caules. O que é certo, é que ainda vão demorar uns longos anos para as tílias voltarem a dar uma imagem de imponência a este espaço nobre.

Arcos de Valdevez, Jardim dos Centenários
O Jardim dos Centenários, ainda com uma boa densidade arbórea

O Jardim dos Centenários (não sei se depois da remoção do marco, ainda se justifica manter o nome), também tem sofrido da incúria dos executivos municipais. As árvores magnificas que tinha tem vindo a morrer e não são substituídas por outras iguais.

Mas o que me leva a escrever este artigo, é o que se tem passado ultimamente nas ruas da vila e nas margens do Rio Vez.

Nas ruas da vila, tem sido substituídas árvores ornamentais há muito estabelecidas por novas espécies. Uma das justificações, pelo que sei, é que as novas árvores e arbustos são autóctones.

Vamos por partes:

Na Alameda Dr. Francisco Sá Carneiro, criou-se uma “floresta” de carvalhos e azevinhos. Quanto a isso, nada a opor, a ideia é boa. Mas, destruíram uma série de azáleas que poderiam perfeitamente conviver com as novas árvores. Tanto podiam, que este ano, resolveram plantar novas… Claro, daqui a muitos anos, terão a envergadura das destruídas.

No Largo da Lapa, a substituição das magnólias (Magnolia grandiflora), por cerejeiras de flor é positiva. Claro que a intervenção original na Lapa tem vários erros, e as magnólias, um deles.

Mas, nesta onda de substituição, o que me chocou foi a substituição das magnólias caducifólias (também conhecidas como tulipeiros) em frente ao mercado municipal. A justificação parece ter sido a tal da utilização de espécies autóctones… A questão que se coloca é, se alguém conhece cerejeiras, ameixeiras ou pereiras bravas com este tipo de flor em Portugal? Como é lógico, as plantas utilizadas são tudo menos naturais da nossa região. São árvores ornamentais muito bonitas, assim como as magnólias.

Para compor o ramalhete, a câmara fez uma intervenção no Rio Vez que me parece completamente absurda.

Rio Vez, Arcos de Valdevez (Choupo Branco)
Ramos novos do álamo. Este nunca mais pode ser admirado.

Na margem esquerda, na Volta da Lamela, cortou uma série de amieiros e, mais grave, um álamo ou choupo branco (Populus alba), uma árvore bastante rara. Sendo considerada uma árvore ornamental, pela beleza das suas folhas, aveludadas na pagina inferior, era exemplar único naquele lugar. Existem, no piolho, alguns exemplares, que espero que resistam a esta febre destruidora deste executivo municipal.

IMG_0730
Pé de uma árvore recentemente abatida. Sem sinais de doença.

A desculpa para o abate destas árvores, parece ter sido o facto de terem alguns ramos sem folhas. De facto, quem percorria o passeio pedestre, verificava que uma ou outra, mais perto do açude, precisavam de alguma intervenção, incluindo um carvalho que ali existia. Mas, como disse atrás, este executivo manda podar as árvores exageradamente, quando os seus ramos estãocheios de vida e, corta pelo pé, aquelas que tem alguns ramos que não mostram folhas.

 

 

Rio Vez, Valeta
As mesmas árvores…

Já agora, gostava de saber se os dois salgueiros chorões na margem direita, junto à valeta,
também estavam doentes…

Rio Vez, Arcos de Valdevez
Salgueiro chorão (ou vimeiro), que estava na hora errada no lugar errado.

É curioso que, o único amieiro caído, estava tombado para o rio e foi arrancado pela raiz. Estas árvores tem resistido estoicamente a fortes vendavais, só não resistem à fúria cortadora das motosserras… e, não lhes dão o direito de morrer de pé!

Sou naturalmente, até fruto da minha formação, sensível à questão das espécies autóctones. Mas não sou fundamentalista, e quando estamos a falar de árvores ornamentais, temos naturalmente de importar variedades que tenham características florais diferentes das nossas.

A mim, choca-me a falta de sensibilidade deste responsáveis municipais que fazem e desfazem sem critério e ai sabor do vento. Se a moda são aceres, plantam-se aceres em todo o lado. Se são cerejeiras do Japão, é só estas variedades… e por aí fora.

As árvores morrem de pé, se não viverem em Arcos de Valdevez.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s