O Paço de Giela merecia mais, muito mais!

Paço de Giela (CMAV)
Paço de Giela (CMAV)

Sábado, 11 de Julho de 2015, dia de S. Bento e do Concelho de Arcos de Valdevez. Ponto alto, a inauguração da consolidação da ruína do Paço de Giela e do museu interactivo da torre do mesmo.

O Paço de Giela representa muito da história do concelho. Ao contrário do que foi dito pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal, a história do Concelho é muito anterior aos 500 anos da atribuição por D. Manuel I da carta de Foral às Terras de Valdevez, sendo acompanhada pela história do próprio Paço. Desde as construções mais primitivas, até ao corpo Manuelino, com as suas magnificas janelas, símbolos inequívocos deste estilo, o Paço de Giela acompanhou a história de Portugal e de Arcos de Valdevez.

A recuperação do Paço de Giela, Monumento Nacional desde 1910, era imperativa e só peca por tardia. A imagem deste monumento passou a ser moderna e de segurança na sua preservação. Pelo que me foi permitido ver, a recuperação das estruturas, Paço de Giela, Casa dos Caseiros e Capela de Santa Apolónia, foi bem conseguida.

A cerimónia de inauguração teve a importância que o Paço de Giela merece, com a presença do Sr. Primeiro Ministro de Portugal.

Mas o Paço de Giela, como monumento nacional e um equipamento  municipal de primeira ordem, deveria ter mais qualquer coisa. É certo que o Paço de Giela só por si, merece ser visitado e isso aconteceria mesmo que só houvesse a consolidação das paredes. Mas isso seria pouco. O Executivo municipal decidiu, e bem, que seria necessário mais e por isso idealizou para o local um museu… Mas apenas para a torre. E, assim, nos 3 pisos da torre, colocou 3 salas museológicas que contam a história de Arcos de Valdevez.

Das 3 salas, a que é de facto uma mais valia e que poderia servir de modelo para todo o equipamento, é a do piso inferior. Nesta, podem-se contemplar alguns artefactos da ocupação das Terras de Valdevez até ao nascimento da nacionalidade, nomeadamente achados em alguns, dos inúmeros castros abandonados, existentes no concelho. A segunda sala restringe-se a um monitor interactivo que conta a história do Paço de Giela. A superior, tem a apresentação de um filme sobre a história do Recontro de Valdevez. Tem mais dois figurinos, que representam Afonso VI de Castela e Dom Afonso Henriques.

Por fim, chega-se ao topo da torre, de onde se pode apreciar a vista sobre a vila de Arcos de Valdevez e grande parte do Vale do Vez… uma vista fantástica!

Mas, como disse, o Paço de Giela merecia muito mais. É uma pena que o paço propriamente dito sirva apenas de passagem para a torre. É uma pena que não se tenha aproveitado a oportunidade e se tenha instalado neste espaço um museu etnográfico das Terras de Valdevez. Poderia o museu, uma carência em Arcos de Valdevez, mostrar o riquíssimo “património material e imaterial” referido nos discursos da inauguração.

Resta-nos a esperança, agora que o Paço de Giela está recuperado e preservado, que um futuro executivo na Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, tenha uma visão mais abrangente e possa terminar o que agora foi começado.

Álvaro Amorim

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