Assembleia Municipal – Instalação de aerogeradores na Peneda

Bouça dos Homens - Gavieira
Bouça dos Homens – Gavieira

Ao contrário do que alguns apregoam, a instalação de aerogeradores tem vários impactos negativos. Infelizmente, Monção e Melgaço tem autorizado a construção de várias torres prejudicando gravemente a paisagem.

A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez defende, com excepção do vereador eleito pelo CDS-PP, a ampliação deste parque eólico, permitindo a construção de mais duas torres eólicas junto à branda da Bouça dos Homens na Gavieira.

É certo que estas instalações vão render alguns euros à junta de consortes, que gere os Baldios da Gavieira. Mas isso não compensa o que se perde em potencial turístico, devido à degradação da paisagem.

A população, incluido alguns políticos,  não está preocupada com os animais selvagens. Mas, as espécies autóctones em perigo são úteis para nos ajudar a defender contra a mini-hídrica no Vez, são dispensáveis neste contexto. O número de rapinas nos centros de recuperação de aves, feridas por estas estruturas,  não interessam nada. Esqueçam-se que, a observação de aves é uma actividade turística em grande desenvolvimento. Defende-se que “não se pode retirar este rendimento ás populações”, esquecendo-se que pouco destes fundos chegam de facto às populações, ficando nas juntas dos baldios, quando muita mais gente pode ter rendimento da actividade turística.

O Sr. Presidente da Câmara acusou-me de incoerência por, há 4 anos, me ter abstido e agora ser contra. Em 4 anos muitas coisas se alteraram e, abster-me, não é propriamente ser a favor. Há 4 anos, os preços dos painéis solares não tinham nada a ver com os actuais.  As regras de produção própria eram completamente diferentes. Hoje, qualquer pessoa pode por um preço aceitável, colocar paineis solares. Há 4 anos eram necessários mais de 10 anos para recuperar o investimento. Hoje, em 3 anos, esse investimento pode ser recuperado. Há 4 anos, a energia produzida, tinha ser injectada na rede da EDP. Hoje, só é injectada a energia que se produz em excesso. Há 4 anos, as perspectivas de evolução dos painéis solares eram boas, hoje essa evolução é um facto e já estão disponíveis tintas fotovoltaicas que permitem painéis ainda mais económicos com maior eficiência. Há 4 anos, Portugal era deficitário em termos de energias renováveis, hoje essa situação está invertida.

A questão que devemos colocar é: qual o futuro dos parques eólicos: Com o aumento da produção própria, a rentabilidade dos parques eólicos será cada vez menor. Com a diminuição da rentabilidade, os promotores abandonarão esses parques, no alto das montanhas, de difícil acesso e de manutenção onerosa. Quando não forem rentáveis, serão abandonados. Vendem os metais aos sucateiros e ficará a torre de betão para os municípios abaterem. Entretanto, as rendas obtidas são gastas para reverter a situação.

O impacto das torres eólicas já é muito mau. Dizem que, mais 2, não altera a situação. Mas, e isso é elementar, quanto maior a densidade destas torres maior o impacto negativo. Não podemos seguir o principio de, se já está mal, não faz mal por pior!

Em questão está todo o potencial turístico da região. Infelizmente, para o executivo municipal, pelo menos para a maioria, o turismo não é de facto uma prioridade. Tem feito alguns investimentos, mas a maioria mais em reação do que em pro-ação. A ecovia, com um projecto com inúmeros problemas, está a ser feita tarde e mal. O museu da água, parece agora ter uma direção mais adequada, mas ainda falta ver no que vai dar. O Paço de Giela, finalmente recuperado, tem um modelo de museu que dificilmente retira todas as potencialidades do espaço.

É por isso que se compreende que, só o CDS-PP veja que as rendas que as 2 torres eólicas vão gerar não cobrem todo o potencial turístico que se perde. Pior, não se vislumbra no actual executivo, pelo menos nos vereadores com pastas e no presidente da câmara, imaginação para ter uma verdadeira visão inovadora que coloquem Arcos de Valdevez no topo dos destinos turísticos em Portugal e na Europa.

Algumas notas para terminar:

– O Deputado Municipal do PCP, acusou o CDS-PP de serem contra tudo. É irónico, o PCP ter esta posição, quando  o vemos ser contra tudo e contra todos desde que não estejam de acordo com os seus dogmas. Na sua intervenção, defendeu que tínhamos que apoiar as energias renováveis, como as eólicas, mini-hídricas, micro-hídricas e nano-hídricas! Se as nano-hídricas foram uma piada, relativamente às micro-hídricas estamos claramente de acordo. Utilizar os moinhos, por exemplo, para produzir energia, juntamente com as células fotovoltaicas é um caminho inovador a seguir. O problema, é que estas explorações não são aliciantes para os promotores, que antes preferem colocar uma central de 10GW em Sistelo e destruir quase 6km de rio. Mas, a Câmara podia perfeitamente colocar um destes dispositivos no açude da valeta. Mas aí…

– A Srª Deputada Municipal do PSD, Emilia Cerqueira, resolveu ser erudita e declamou o canto IV dos Lusíadas, acusando-me de ser o Velho do Restelo. O Velho do Restelo, pessimista, não acreditava nas explorações marítimas e dizia que ia ser o caos. A questão aqui, é quem simboliza na nossa AM, o Velho do Restelo: O PSD, que defende a instalação de empresas que procuram mão de obra barata, condições de controle ambiental menos exigentes e que foram corridas dos seus países? Defendem a instalação de tecnologia eólica que tem pouco futuro, mas que dá a segurança de uma renda imediata? Ou o CDS-PP que defende arriscar na inovação apostar fortemente em Arcos de Valdevez como um destino de excelência turística? Nós, que procuramos valorizar os nossos recursos naturais renováveis, podendo dar riqueza a quem tiver iniciativa para os utilizar e não esperar que apenas nos caia uma rendazita ao fim do ano, sem termos de fazer mais nada?

A nossa visão, é a dos navegadores que, sem certezas do futuro, arriscam a vida para “dar novos mundos ao mundo”, neste caso, para dar novas oportunidades aos arcuenses. Se é certo que temos que ter as industria para empregar quem tem medo de arriscar por si próprio, também temos de criar as condições para, quem for destemido, construir as suas própria oportunidade.

-Por último, durante a discussão, a posição do vereador eleito pelo CDS-PP foi questionada. Foi solicitado que se explicasse. Diz o regimento da AM, que os vereadores podem prestar esclarecimentos quando autorizado pelo presidente da câmara ou pela própria assembleia. O Sr. Presidente da Câmara simplesmente não autorizou esse esclarecimento, ao contrário do que tinha acontecido antes ao autorizar o vereador do PS a prestar um esclarecimento. Restou solicitar à AM essa autorização. Negada pela maioria do PSD. Foi curioso ver a votação, depois de um compasso de espera, todos levantaram o braço após a representante do Grupo Municipal do PSD o ter feito. É democracia, aceitamos democraticamente essa decisão da AM, são as regras. Mas é curioso ver a posição do partido a que pertence o Sr. Presidente da Câmara e que na última AM, me acusou de não ser democrata. Sou, conheço a regras, aceito-as, mas teria um comportamento diferente se estivesse no lugar dele. Ser democrata é aceitar a opinião da maioria. Mas, ficava bem à maioria deixar a minoria se exprimir.

Álvaro Amorim

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