Cheias na valeta… outra vez!

Cheia no Vez em 2009
Cheia no Vez em 2009

Há anos, ainda não sonhava sequer em poder estar na Assembleia Municipal, assisti, como todos os arcuenses, às obras para que a Valeta “nunca mais sofresse inundações”.

Discuti com alguns amigos, alguns com formação de engenharia, que aquilo era gastar dinheiro mal gasto, pois as inundações continuariam. Diziam, que a água do rio “puxava” a do ribeiro de Vilafonche. Dizia eu, esperem por uma cheia a sério e vão ver o que acontece.

Felizmente (ou infelizmente, porque o Minho é o que é devido à abundância de água), as chuvas tem escasseado e não temos tido verdadeiras cheias nos últimos anos. Além disso, como tem chovido pouco, a barragem de Lindoso nunca estava muito cheia, pelo que a EDP nunca tinha necessidade de debitar muita água, pelo que o Lima também não enchia muito.

Este ano, lá veio uma cheia das antigas e, como é natural, a água do ribeiro de Vilafonche não coube no túnel e as águas inundaram a valeta.

Este é mais um exemplo do populismo que existe em alguns dos autarcas, quer seja em Arcos de Valdevez, Oeiras, Madeira ou Nova Orleães. Para agradar a alguém as câmaras permitem a construção em leito de cheia (nível máximo que historicamente a água de um rio alcançou). Claro, depois há inundações e lá vem os donos exigir que a câmara tome medidas, vai daí, entubam-se ou muram-se os ribeiros.

Infelizmente o dinheiro ainda não compra a natureza e esta rege-se por leis que ainda não dominamos, apesar de neste caso, o Homem estar a trabalhar arduamente para o agravamento dos efeitos climáticos. Vai daí, o ciclo hidrológico está-se nas tintas se nos leitos de cheia há moinhos, casas de habitação ou centros comerciais… se é para chover, é para chover! Se o Homem roubou os meus canais, impermeabilizou os solos… a água vinga-se e leva o que é nosso!

Existe um conceito, que infelizmente ainda não faz parte do léxico dos governantes, que se chama desenvolvimento sustentável. Enquanto não agirmos com respeito pela natureza e pelos fenómenos naturais, catástrofes como as de Nova Orleães, da Madeira e inundações na Valeta, vão existir.

Os ribeiros não são para entubar e os leitos de cheia são para respeitar!

Álvaro Amorim

Nota: Não tenho nenhuma foto desta cheia, mas tenho de uma mais pequena de 2009, daí a foto a acompanhar o artigo. No facebook há muitas fotos da cheia.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s